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Domingo, 11 de Novembro de 2007

Edson Athayde: "António Guterres não tinha o melhor bigode do mundo"

 

Deixou Portugal rendido quando chegou do Brasil. Brilhou em campanhas publicitárias e eleitorais. Em jornais e universidades. Depois, foi embora. Mas acabaria por regressar. Edson Athayde, 40 anos, publicitário mais premiado em Portugal, é  hoje director criativo da Ogilvy.

 

Foi responsável em 1995 pela campanha eleitoral que levou António Guterres ao seu primeiro mandato como primeiro-ministro. Quando se soube que ele seria o candidato houve logo alterações de imagem, nomeadamente a abolição do bigode. Um bigode pode fazer a diferença numa eleição?

Já conheci o  engenheiro Guterres sem o tal bigode. Aliás, quando cheguei a Portugal o bigode há muito não existia. Realmente não era o melhor bigode do mundo. Melhor foi bigode que demos nas urnas.

 

Foi a campanha do coração. Se fosse hoje acha que os portugueses ainda se deixariam levar por esse lado afectivo que quis imprimir à política?

Emoção nunca é demais. Aliás, muito do afastamento das pessoas da política tem a ver com um deféce de emoções nas campannhas.

 

Dirigiu também o marketing político da candidatura de Manuel Maria Carrilho à presidência da Câmara de Lisboa. Colocar o filho dele na campanha foi um erro táctico seu ou a imprensa é que embirrou com ele?

O bebé era simpático. Mas havia muita gente que achava que o pai não era.

 

O que falhou, para lá de carrilho ter perdido a eleição?

O facto de não termos ganho.

 

Costuma dizer que comparar políticos a detergentes pode ser ofensivo. Tirando isso, vale tudo para potenciar a imagem de um político?

Projectar a imagem de um político também pode significar torná-lo conhecido, como também as suas ideias. Acho que eleger gente que não se conhece não é o sonho eleitoral de ninguém.

 

A derrota de um candidato pode custar a carreira de quem projectou a campanha?

Para alguém ganhar, alguém tem de perder. Se todos ganhassem, as eleições terminavam em empate. Logo, perder faz parte do jogo. Não há nada de muito dramático nisso.

 

Se fosse Marcelo Rebelo de_Sousa, que nota daria a José Sócrates e a Santana Lopes no primeiro e segundo rounds do debate de apresentação do Orçamento de_Estado?

Se eu fosse o Marcelo Rebelo de Sousa, deveria estar a ler uns três ou quatro livros na hora do debate.

 

Santana disse que Sócrates é a figura saída do pântano do “guterrismo”; Sócrates respondeu que o Parlamento não é o Parque Mayer. Ocorre-lhe algum título cinematográfico para baptizar este encontro?

“A Volta dos Marretas”.

 

A arena da publicidade é mais ou menos animada do que a da política?

Dizem que em publicidade, como na política, é preciso matar-se um leão por dia.

 

O facto de ser um brasileiro o publicitário mais premiado em Portugal significa o quê? E sobre nós, isso diz o quê?

Significa que o publicitário deve ter trabalhado imenso para isso. E que Portugal é um país que sabe acolher quem gosta de trabalhar.

 

Quando é que publicitar não é manipular?

Nunca. A publicidade é a arte da sedução. E para seduzir é sempre necessário vender uma realidade algo mais bonita.

 

A publicidade é uma arma de defesa ou de arremesso?

Defende quando é necessário. Ataca quando é preciso.

 

Como é possível um carioca não gostar de carnaval?

Também detesto cachaça e odeio caipirinhas. Mas gosta muito de telenovelas e do Chico Buarque, o que ajuda a compensar.

 

Deixou-se apanhar pelo lado melancólico de Lisboa e do fadol?

Tento não ser apanhado pela melancolia. Até é fácil. Basta entrar num bar do Bairro Alto em que esteja a tocar música electónica.

 

Por que é que fez da mulher portuguesa uma vaca (com a sua “Varina”) no Lisboa Cow Parade ‘06?

Não era uma mulher. Era uma vaca. Pelo menos, foi o que me pareceu.

 

Recebeu mais protestos ou louvores?

Acho que o pessoal achou piada. Vi muitas pessoas a tirar fotografias ao pé da vaca. O povo gosta de uma brincadeira.

 

João Pereira Coutinho escreveu o ano passado na Folha de S. Paulo, que foi graças à imigração das brasileiras para Portugal que a mulher portuguesa subiu saias, desceu decotes e apurou depilação. Também concorda?

Não percebo lá muito disso. Acho que a pergunta deveria ser feita ao José Castelo Branco.

 

No seu célebre anúncio do “Tou chim” pôs Portugal reperesentado num pastor de ovelhas maravilhado com o seu telemóvel. Isto foi em 1996. Hoje como ilustraria o país?

Da mesma maneira. Ainda há pastores, há ovelhas e há o grande sentido de humor dos portugueses.

 

 Tem mais saudades de redesenhar jornais, como fez com o JN e DN, ou de trabalhar com políticos?

Gostei muito de trabalhar com todos os jornais que apareceram na minha vida. E também com uma parte dos políticos.

 

O seu tio_Olavo é realmente parente de quem?

Dizem que ele é meu tio. Mas ele já pediu um teste de DNA para comprovar isso.

 

Foi Lisboa que o inspirou a criar um heterónimo?

Deve ser a minha costela de Fernando Pessoa.

 

Costuma seguir os escândalos da actualidade?_Tem algum preferido?

Confesso que não gosto de escândalos. Preferiria que os jornais só tivessem boas notícias para dar.

 

 Dá consigo a pensar no discurso publicitário que usaria para esses casos?

Nunca. A publicidade deve ter os seus limites.

 

Que português escolheria para revitalizar a imagem da Universidade Independente?

Acho que era mais um trabalho para quando o  Dom Sebastião regressar.

 


publicado por JN às 03:34

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