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Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Falancio e Neto: "Pacheco Pereira é um espião dentro do próprio partido"

Não são só excêntricos; são, no actual panorama nacional, os humoristas mais corajosos, até do ponto de vista físico. Detidos e agredidos vezes sem conta, Falancio da viola e  do kirikiri, e Neto, o contestatário de megafone, são presença assídua em todas as lutas, que transmitem depois na Sic Radical. Na vida real, são os promissores Jel e Vasco. 

 

É verdade que foi o Emplastro quem inspirou a vossa luta?

É a maior influência estética dos “Homens da luta” e do “Vai tudo abaixo” [séries da Sic Radical].

 

Não há luta sem megafone. O que o poderia substituir?

Um PA gigante, tipo Metálica.

 

Há alguma coisa que, por pudor, nunca tenham mostrado na televisão?

Falancio|O pénis.

Neto| Mas quando fizermos a luta contra a prostituição, vais ter que mostrar o pénis [risos].

Falancio| Nunca se sabe, pá!

 

Estiveram presentes na assinatura do Tratado de Lisboa. Qual era a motivação da luta?

Neto| Basicamente, o facto de Portugal ser hoje um país de empregados de mesa e daqueles chefes que recebem as pessoas à porta do restaurante. Parece que o melhor que temos aqui, é dar jantares e festas para virem cá os líderes mundiais curtir um bocadinho do nosso sol.

Falancio| Por outro lado, isso é bom. Quanto mais derem apoio a este Governo, mais lutas  haverá. A gente diz mal deste Governo, mas apoia a sua continuidade porque, no fundo, está a minar-se a ele próprio e é bom para a luta e para o próximo partido que vai ser o partido da luta.

 

Na cimeira UE-África, preferiam ter conhecido Mugabe ou entrar na tenda de Kadhafi?

Neto| Sem dúvida, ter entrado na tenda do Kadhafi só para conhecer as seguranças femininas que vêm guardar as costas do homem.

Falancio| A mim, interessava-me mais o Mugabe, porque as pessoas no Zimbabwe andam a sofrer com ele. O Kadhafi foi mau, mas agora, em princípio, já em bom.

 

Kadhafi já é bom?

Antigamente, era anticamarada, pá, mas agora já em um bocadinho camarada, porque os americanos já o apoiam mais. Como apoiaram os talibans e depois de deixaram de apoiar. Como o Sadam Hussein já foi um herói americano e depois passou a ser um anti-herói. Quer dizer, isto é assim, há sempre aqueles quesão mais contestados. Interessava-me mesmo era falar com o señor Mugabe. Andei lá a perguntar por ele, mas  ninguém me respondeu. Quanto ao Kadhafi, não me interessa. Levava, quando muito, um kirikiri.

 

Queria dizer o quê a Mugabe?

Senhor Mugabe, vá embora porque as pessoas não querem estar consigo. Você destruiu o Zimbabwe, que era a grande potência de África, e deu tudo aos americanos por uma pechincha. Por sua causa, anda tudo na miséria. Você é uma vergonha, é um grande ditador!

 

Acompanharam também a campanha às eleições autárquicas em Lisboa. Qual foi o político a manifestar maior fair-play?

O António Costa, porque sabia que ia ganhar. Tinha as costas quentes e disse: “Falem para aí, mandem os kirikiri que quiserem”. Riu-se e foi embora. Mas levou connosco.

 

Não foram longe demais ao dizer a Carmona Rodrigues que, caso ganhasse as eleições, iria gerir a Câmara da prisão?

Não. Longe demais vão os políticos a enganar as pessoas. Infelizmente para Carmona, não foi eleito e não foi preso, embora isso pudesse ter sido interessante. Sobretudo para a prisão, que passaria a ter um ilustre VIP.

 

Nunca dizem nada apenas a brincar?

Nada é a brincar, a luta não brinca.

 

Lisboa não precisava de uma “obra de fachada” como o túnel de Ceuta?

Precisava mais de outras coisas. Por exemplo, precisava mais que tentassem reduzir o número de carros que entram na cidade todos os dias, ou que reconstruíssem os prédios degradados.

 

O Governo de José Sócrates é a maior fonte de inspiração da luta?

Sócrates é a melhor fonte de luta que temos neste momento. E não vejo outro Governo a melhorar as coisas. Então, o que seria da luta? Se melhorassem as coisas, o que aconteceria à luta? A luta apagava-se. Isso não pode acontecer. Por isso, eu digo e repito: o senhor Sócrates está a fazer um excelente trabalho para a luta, porque tem dado trabalho à luta. A gente já nem tem mãos a medir.

 

José Sócrates inspira mais a luta do que Santana Lopes?

Entre um e outro, venha o Álvaro Cunhal e escolha. Mas, para nós, Sócrates é melhor porque há menos concorrência na luta. O Santana estava a cair na moda. Toda a gente queria luta contra ele. E isso estragava o nosso circo. Sócrates que, ainda por cima tem maioria absoluta e é o politicamente correcto em pessoa, dá mais espaço à luta.

 

Nunca tentou silenciar-vos?

Quando chegámos à zona do Tratado, havia três polícias à paisana só atrás de nós. E quando tentámos entrar, fomos detidos.  Mas silenciados pelo Governo, não. Ainda não.

 

Quantas vezes foram detidos?

Detidos e agredidos pela polícia, muitas vezes. Mas vamos ser muitas mais.

 

Com que imagem ficaram das forças policiais?

São camaradas como todos os outros, que fazem o que lhes mandam. Mas quando for a luta da polícia, que se avizinha para o ano, nós vamos lá estar do lado deles. Serm cacetete em punho!

 

Vocês são aquilo que Sócrates designa como “botaabaixismo”?

Nós somos o “botaabaixismo”!

 

Quem vos roubou a câmara de filmar na festa do Avante, este ano?

Não roubou, partiu. Foram os seguranças.

 

Por que rasgaram nesse dia a biografia da Zita Seabra?

Neto | Porque é uma vergonha ganhar dinheiro às custas do partido, assim como o Pacheco Pereira.  

Falancio| Mas o Pacheco é diferente. Ele saiu do partido, foi para outro partido, fala mal dele na “Quadratura do Círculo”, mina-o e separa-o. No fundo, ele não saiu do partido. É um homem infiltrado do outro partido para destruir o próprio partido. É um espião,  um enviado especial do outro partido no próprio para  partir o partido todo.

 

Por que razão meteram o Ricardo Araújo Pereira no mesmo saco de Zita Seabra e Pacheco Pereira?

A luta tem sempre o contra-senso. O que é que aconteceu ao Ricardo Araújo Pereira depois de sair do partido? Enriqueceu, disse-me o Neto, abrindo-me os olhos. E a gente também vai sair do partido. Pode ser que nos aconteça a mesma cosa.

 

Enriquecer?

Sim. A base filosófica da luta é trabalhar menos e ganhar mais.

 

Na luta da Universidade Independente, passaram por alunos e abriram os telejornais. Hoje, ainda seria possível?

Já não temos o efeito surpresa que tivemos aí. E agora temos anticorpos na classe jornalística, que não gosta da luta porque nós atrapalhamos um bocado o circo deles. Os jornalistas pensam que o circo é deles, mas o circo está de bar aberto.

 

Seriam capazes de ir à Praia da Luz, no Algarve, e fazer do caso Maddie uma luta?

A luta só não gosta do poder. Tem uma base anarquista. O objectivo da revolução é sempre tomar o poder. A Maddie não faz parte da nossa luta. É o outro tipo de luta. Nós, é mais a luta contra o poder, contra os trabalhadores explorados. A Maddie é lateral.

 

Vamos sair de Lisboa. As autarquias do país seriam um bom palco para a luta?

Acabaste de fazer o que antigamente as novelas faziam no final, que é: cenas dos próximos capítulos. Quer dizer, já estás a desvendar próximas lutas. Tenham medo!

 

E no Parlamento, já tentaram entrar?

Nós vamos entrar lá, mas eleitos pelo nosso povo, que vai dar voz às suas próprias lutas.

 

A ideia da luta, dizem vocês, é surrealizar a realidade. Não é já surreal que baste?

Que baste, não. É cada vez mais chata.

 

Consideram que fazem uma espécie de serviço público?

Nós também somos o serviço público, porque damos voz àqueles que querem reclamar e não podem. Se o fizerem, perdem os seus empregos e a sua qualidade de vida. E a nossa qualidade de vida é dizer mal daqueles que as outras pessoas querem dizer mal. Essa é a nossa vida, essa é a nossa luta. Nós somos a voz do povo. Nós dizemos o kirikiri que toda a gente quer dizer e não pode. Nós damos alegria à luta.

 

Os portugueses não têm voz ou não querem ter?

Há três tipos de camaradas actualmente: os que estão a recibo verde, os que estão a contrato e os que estão desempregados. Destes, só os que estão a contrato podem falar. Nem sempre fazem a luta porque o ambiente geral tentou tornar a luta numa coisa velha e obsoleta. O que nós estamos a fazer é continuar a luta, que é uma coisa que vem desde o início dos tempos. Não somos nem de esquerda nem de direita; somos de baixo para cima.

 

Acabaram por tornar mediáticas manifestações que, de outra forma, não teriam visibilidade. São sempre bem recebidos?

Falancio| Recebem-nos muito bem. Na última luta, que foi contra a REN e os cabos de alta tensão, as pessoas receberam-nos com laranjas. Nesse caso, eram clementinas do Algarve, porventura muito boas. Até deram aqui uma sandes aqui ao Neto, porque ele estava com fome. As lutas tiram muita da nossa energia. E é preciso alimentar a luta, no fundo. E isso é uma coisa que nos dá muito prazer. Para todas essas pessoas um grande kirikiri de força contra a reacção!

Neto| A luta estava muito politizada. Houve um partido que tomou conta da luta, e quis que a luta fosse só dele. O que temos visto hoje é que as pessoas entregam-se pouco à luta, acham que a luta não vale a pena. Mas já começa haver pessoas não politizadas que lutam pelos seus direitos e que nos recebem maravilhosamente, porque sabem bem que nós só vamos lá para animar a luta deles.

 

O que é pior: o circo político ou social?

Pior é trabalhar muito e ganhar pouco. Portanto, o pior é o circo social.

 

Com tanto empenho na luta e, citando Baptista Bastos, onde estavam no 25 de Abril?

Nós somos o 25 de Abril.

 

Em off, quantos anos têm?

Em off, diz ela, pensas que nos enganas, não? Temos idade suficiente para sermos o 25 de Abril.

 

Na vida real, vocês são completamente diferentes dos homens da luta?

Neto| Eu, pessoalmente, não tenho vida real desde há três anos

Falancio| Eu sou totalmente diferente. Tranquilo, contemplativo, pacato, nada exibicionista [risos].

 

Seria possível a luta passar num canal generalista?

Neto| Deveria ser passada num generalista.

Falancio| Agora, eu continuo a achar muito estranho que continue a passar no Cabo.

 

Como reagiriam se outros “homens da luta” entrassem no vosso programa?

Neto| Se outros homens da luta entrassem no nosso programa?! Os homens da luta entram no nosso programa! Por isso é que o programa se chama “A luta continua”. Agora, perguntas: “E se o emplastro entrasse no vosso programa?” Acolhíamo-lo.

Falancio| Eu concordo aqui com o meu camarada Neto. Acolhíamo-lo porque quanto mais pessoas na luta, melhor fica a luta. A luta é aberta a todos.

 

Têm o kirirkiri no vosso telemóvel?

[o telemóvel toca] Kirikirikiri.

 

 

 


publicado por JN às 03:34

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