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Domingo, 25 de Novembro de 2007

Margarida Vila-Nova: "António Costa faz mais falta a Lisboa do que ao Governo"

 

Acredita que é possível mudar o mundo e nunca desiste - qualidades que também encontrou em António Costa, que ajudou a eleger para a Câmara de Lisboa. Margarida Vila-Nova, 24 anos, acaba de estrear uma peça de teatro no Porto. Protagonizou um filme sobre a corrupção no futebol, mas a vida real não lhe tira o sono.

 

No jogo da Playstation "Heavenly Sword" dá a voz a Naquiro. Ela quer vingar-se do rei que oprimiu o seu povo. Também se sente uma guerreira?

Sim. Mas mais do que uma guerreira, sou uma sonhadora. É esta capacidade de sonhar e acreditar que tudo é possível que me faz viver, trabalhar, correr até atrás dos projectos. Não sou ambiciosa; sou só uma sonhadora, um bocadinho utópica, às vezes. Mas é isso que me move e me faz criar projectos.

 

O que julga representar para a juventude para que António Costa a tenha escolhido como mandatária na sua campanha para as eleições autárquicas de Lisboa?

[Silencio]. Talvez uma capacidade de intervenção que faz falta à minha geração. Mas sinceramente nunca pensei muito nisso [risos]. Acho sempre estranho quando alguém tem uma opinião sobre mim, através de personagens ou de entrevistas, sem me conhecer. Isso confunde-se um bocado porque eu não tiro conclusões sobre as pessoas que acabo de conhecer, quanto mais sobre aquelas que não conheço. Serei um bom exemplo para a nova geração? Não sei responder.

 

E a Margarida o que viu nele para aceitar essa responsabilidade?

É um homem de causas, de vontades, rigoroso, dinâmico, optimista em relação ao futuro. Tem um lado de intervenção social que faz falta aos políticos, hoje. E não está descrente em relação a Lisboa. E tem um sentido de humor e uma boa disposição que é muito confortável. É confortável ter alguém a tratar da nossa cidade com esse espírito optimista e positiva. Eu gosto.

 

Já consegue encontrar em Lisboa sinais do seu rigor ou das suas medidas?

Sim, porque ele é um homem de palavra, honesto. Já se sentem as coisas a acontecer. As obras começam a ser finalizadas, as dívidas até dez mil euros estão saneadas de momento. Sente-se na rua outra segurança e o controle a nível de trânsito é completamente diferente.

 

Tem mesmo tempo e paciência para a política activa ou a sua participação foi pontual?

Envolvi-me nesta campanha porque a minha geração está descrente em relação à política, o que é lamentável. Não podemos passar tardes no café a lamentarmo-nos do estado do país e depois não fazer coisa nenhuma. Envolvi-me porque achei que Lisboa tinha chegado ao limite do desgoverno e está nas nossas mãos intervir. E só posso exigir ou apontar o dedo a alguém se de facto tiver uma opinião e uma posição. Mas envolvi-me nesta campanha sobretudo porque acredito no percurso político honesto de António Costa.

 

Mesmo que tenha implicado a saída dele do Governo?
Ele faz falta ao Governo, mas faz mais falta a Lisboa. Sobretudo porque há 20 anos que Câmara de Lisboa tem vindo a ser abandonada. Sempre vi muita coisa prometida que nunca foi cumprida.

 

Estreou esta semana a peça 'A noite dos assassinos' no Rivoli, no Porto. Acompanhou a polémica que atravessa o Teatro Municipal?

Sim. De uma maneira geral há falta de espaços para apresentar coisas. Mas quando existe um, ele tem que ser acompanhado de um bom programador e de um bom gestor. Essa programação passa por acolher companhias, por fazer coproduções. E quando esse sistema não funciona não sei quem está errado ou certo. Não posso ter posição porque eu fui bem recebida. Foi o Filipe La Féria quem fez a ponte entre a Câmara e o Rivoli. Numa semana a produção estava a andar.

 

Mas estamos a falar de um Teatro Municipal que, à partida, tem determinadas obrigações, nomeadamente com as companhias de teatro independente da cidade. Não é solidária com elas?

Isso sim. Sendo municipal, à partida deveria acolher projectos e acolhimento implica coproduções. Mas estamos perante um problema de raiz muito maior. O Rivoli tem um peso e uma importância na cidade que se calhar outro teatro não tem. Mas já vi no Porto dois teatros abandonados, em ruínas, a cair. É muito mais grave que eles estejam a cair e não sejam recuperados e não haja gestores para os dinamizar e falta de companhias a quem os entregar do que propriamente centrar o problema no Rivoli. E não digo isto por ser de Lisboa. Porque eu também tenho problemas em Lisboa, também não tenho espaço para estrear, e nunca consegui ficar mais de um mês em qualquer sítio com uma produção. Os teatros municipais não fazem acolhimentos longos. Por isso, conto sempre com investimento meu, pessoal, ou com o de empresas privadas.

 

Ter criado aos 17 anos a produtora "Produções magníficas" foi uma forma de não viver no limbo da subsídiodependência?

Claro! Não estava na disposição de ficar à espera que um teatro municipal me acolhesse, e sobretudo não estava à espera de ser convidada para fazer alguma coisa. E como não fiquei à espera, achei que a oportunidade podia passar por mim se eu quisesse de facto fazer coisas. É a vontade de acreditar que posso mudar o mundo, por mais utópico que isso possa parecer, que me move. Foi assim que eu fui fazendo as coisas de que gosto: posso escolher o texto, o encenador, o cenógrafo, o figurinista de que gosto. Isso ninguém me tira. Sou feliz assim. Se calhar não comprei uma casa no campo, mas faço o que gosto.

 

Duvida dos critérios de selecção que regem a atribuição de subsídios do MC?

Questiono os critérios, o júri, a pontuação, as companhias subsidiadas e aquela burocracia toda. É preciso um mestrado para preencher os formulários. Mas como acho que a mudança não passa por eu entrar em guerra ou apontar o dedo a alguém, mas por fazer o meu trabalho, criei a minha produtora [Magníficas Produções] e invisto o meu capital. O Não quer isto dizer que não acredito que seja possível fazer as coisas de outra forma. Acredito. Acredito que um dia a lei do mecenato vai funcionar. Até lá, não me vou lamentar, não vou entrar em dores de cabeça

 

Saiu de casa com 17 anos, autonomizando-se, mas é com a sua mãe que gere essa produtora. É uma contradição?

 

Ainda bem que não vivemos juntas, porque isto de viver e trabalhar é muito complicado [risos]. Trabalhamos juntas porque as circunstâncias permitiram. Criámos a produtora e as coisas foram correndo bem. Gostamos de trabalhar uma com a outra. Gostamos de trabalhar em família. A minha mãe é minha cúmplice, minha amiga.

 

Portugal ficou apurado para o Euro 2008. Vibra com a Selecção?

Sim. Gosto de futebol, sou sportinguista. Só tenho pena que o nosso país seja tantas vezes medido pelo futebol e que esse seja o nosso único reconhecimento no estrangeiro. Antes ainda se falava na Amália; agora as únicas referências são o Cristiano Ronaldo e o Figo. Tenho pena que seja apenas o futebol a unir um país. Há coisas gravíssimas a acontecer Em Portugal e, de repente, a única coisa que pára o país é o facto de o Scolari ter dado um soco no outro. É estranho. Por outro lado, lembro-me da boa disposição com que Portugal inteiro andou no Euro 2004. Gostava que as pessoas andassem bem dispostas por outras coisas, mas se tiver que ser o futebol a animá-las, que seja! Até porque isso é o país do “Vai-se andando”. Nem se está bem, nem mal – vai-se andando. Pergunto muitas vezes: “Para onde”?

 

Acredita na Justiça para o caso 'Apito Dourado'?

Eu tenho alguma dificuldade em acreditar na Justiça. Seja em relação ao caso “Apito dourado”, seja em relação ao caso “Casa Pia” ou por aí adiante. São casos cujos processos de mês-a-mês são reabertos fechados. E sinceramente já acho tudo tão inexplicável que já me custa tomar posição. Há muita contra-informação. Se me perguntarem o que é o “Apito dourado”, já nem sei responder. Só não digo que não acredito na Justiça porque sou crente, optimista e positiva. Nunca dou nada como uma derrota, nem me dou a mim como derrotada. Acredito que alguma coisa vai acontecer, mas não perco as minhas noites de sono com isso. Fico só à espera que seja resolvido. Avisem-me quando acabar.

 

Nutre alguma espécie de simpatia por Pinto da Costa?

Não me diz nada. Como posso falar de alguém que nunca vi?

 

Tentou falar com ele para construir a sua personagem em Corrupção?

Não.

 

E Carolina Salgado, a quem deu corpo em “Corrupção”, como a descreveria?

Eu conheci-a mesmo, portanto tenho uma opinião sobre ela. É uma sobrevivente. Uma mulher muito corajosa. Desafiou o intocável. É incrível como ela nunca desiste, nunca baixa os braços. É de uma fragilidade, de uma fraqueza, ao mesmo tempo que tem um ‘power’ que não se percebe. Não sei como é viver como ela vive há um ano na situação em que ela está. Mas devem ser poucas as mulheres que aguentariam.

 

O que há em comum entre ela e Sofia do filme?

O espírito de sobrevivência, a forma como ela olha sempre para a frente. Até na postura, ela nunca baixa à cabeça.

 

Já foi ver o filme?

Já.

 

Também ficou com a impressão de que se não conhecesse a história, seria difícil entendê-la?

Se eu não estivesse a par da história, teria alguma dificuldade em compreende-la. Esta montagem final do produtor peca no entendimento da história. Nestas coisas, se desafiamos, se não temos medo, agarramos o touro pelos cornos, chamamos o nome às coisa. E, de repetente, senti que era apenas um filme de ladrões, polícias e cowboys. Sem consistência. Há um lado humano, e de intervenção política e social, o lado de uma corrupção que era mostrada, que o filme perdeu. Agora fala-se, mas não se vê, porque 18 minutos de corte num filme são muitos minutos. O filme nem precisava ter esse nome. Poderia chamar-se apenas "Sofia", porque é apenas a história de uma mulher que tem um caso com um homem mais velho, deixa um bar de alterne, vive dentro de uma cadeia de favores e é conivente com a Polícia Judiciária. Se é sobre futebol ou não, é indiferente. Porque não se percebe.

  

No outro dia, um programa de televisão convidou o produtor Alexandre Valente e Carolina Salgado para falarem de “Corrupção”. Não é, de certa forma, uma subversão do que costuma ser utilizado para promover um filme?  

Sim, mas isso foi uma opção do produtor. Só me chateou a primeira vez. Incomodou-me ter sabido de uma circular a convidar os media para uma conferência para a qual não fui avisada. Mas a partir do momento em que não sou convidada é porque o meu papel no filme e a minha posição nos media não é assim tão importante. Avancei. Tenho tantos projectos interessantes para realizar e ainda vontade de ter tempo para comer caracóis ao fim da tarde com o meu namorado ou atravessar o Tejo de cacilheiro. Há tantas coisas tão mais interessantes e boas na vida que não vou prender-me com isso. A vida é muito mais do que isso.

 

É verdade que costuma acordar com paparazzi à porta de casa?

Não é uma constante, mas acontece. Sobretudo se desconfiam que há um namorado novo ou que vou chegar de viagem. É engraçado porque moro num bairro popular em que toda a gente me conhece. E as pessoas vêm fazer-me queixinhas [riso]. Não sei o que lhes passa pela cabeça. É muito estranho dormir à porta de casa de alguém. Se ainda fosse por amor, eu também o faria. Mas para fotografar o amor dos outros? Eu perderia tempo a fotograr os beijos na boca dos outros? Não! Eu quero dar os meus beijos na boca! Acho que eles devem ser muito mal-amados! Devem ser muito infelizes.

 

Ainda se lembra da sua vida antes desta vaga de popularidade?

Pouco. Já estou muito habituada a isto. Só me lembro quando vou de viagem para muito longe, como fui para a Austrália. Estive lá dois meses e aí sim, voltei à realidade. É porreiro ter uma vida normal. Chegar a um café, haver uma fila enorme e ninguém me dar passagem, nem ficar a olhar para mim. Mas o contrário também não me incomoda, desde que as pessoas não sejam demasiado efusivas. Não gosto que olhem para mim quando estou a comer ou quando vou ao mercado comprar fruta.

 

As boas raparigas vão para o céu. E as más?

Para todo o lado [risos].

 

És a menina boa ou vai para todo o lado?

Sou a menina má. As boazinhas não tem graça nenhuma.


publicado por JN às 04:32

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