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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Francisco Campos: "Umas mamas custam um carro em segunda mão"


Helena Teixeira da Silva

Metrossexual assumido, foi ao cabeleireiro, à depilação e ao alfaiate antes de chegar à Praia da Luz, local combinado para a entrevista. Francisco Campos, cirurgião plástico dividido entre o Estoril e o Porto, debate-se com uma calúnia anónima que se tornou pública, mas não perde auto-estima. "Sou o melhor", resume em 35 minutos de conversa.  
  
Foi acusado, através de um blog, de falta de ética profissional, de operar sob efeito de álcool e drogas. Há fumo ou fogo nesta acusação?
Não é uma denuncia, é uma calúnia anónima. Quem faz aquilo, não está bem da cabeça. Numa operação, há anestesistas, médicos, enfermeiros, o doente e um director clínico que nunca poderiam pactuar com isso. É uma tentativa de me destruir, mas nunca operei tanto como este ano.
 
Apesar de só ter sido noticiado na semana passada, a calúnia está on-line há mais de um ano. Tinha conhecimento?
Já muita gente sabia, menos eu. Soube por uma paciente minha este mês. Depois descobri que todos os meus pacientes já tinham visto aquilo, o que é uma infâmia. As expextativas das pessoas devem ser moderadas, mas há quem queira o mundo. Paciência. Em cirurgia plástica não há mundos, há realidades.
 
Vai apresentar queixa?
Vou. À Polícia Judiciária e à Procuradoria. A Ordem está comigo. E se porventura a indemnização brutal que está a ser delineada for conseguida, irei doá-la às crianças mutildadas em África. Há 18 anos que faço cirurgia estética e estou muito contente. Mas não quero para mim dinheiro deste género.
 
Tem noção da origem do blogue?
Sei exactamente de quem é.
 
Teme que este episódio persista como uma nódoa negra no seu currículo?
A única coisa que me incomoda no blog é dizer que sou 'mau colega'. O que é que isso quer dizer?
 
Está a insinuar que o blog pode ter origem em colegas seus?
Não sei. Dizem que sou um estratega de marketing, que em 88 operava sem ser cirurgião plástico quando sou especialista desde Julho desse ano. Há colegas meus envolvidos neste ataque? Haverá? Espero que não.
 
É perigoso lidar com um paciente insatisfeito?
Não direi perigoso, mas é preciso frazer uma triagem muito boa. Porventura, eu erro de vez em quando. É preciso saber muito bem quem se vai operar, que expectativa tem e eu, por norma, crio expectativas abaixo daquilo que julgo ser possível.
 
Errar em cirurgia plástica é o quê?
É falta de bom senso, é estar cali por dinheiro e porque é chique ser cirurgião plástico. O pior é que não há muito creditados pela Ordem.
 
Costuma ver Nip/Tuck, a série dedicada à cirurgia plástica?
Não. Vejo o Makeover, que é uma fantasia total.
 
Ambas são sobre a busca da perfeição física. Reflectem o que procuramos?
Não. Nós não precisamos assim tanto de consumir cirurgia plástica. É uma coisa séria, equilibrada, que não deve ser utilizada assim, tout cour. Tem que haver bom senso.
 
Os seus pacientes têm esse bom senso?
Tenho sorte porque consegui ter um núcleo de pacientes que sabem o que querem. Ninguém vem ter comigo para um extreme makeover, embora fosse perfeitamente capaz de o fazer.
 
Não tem pacientes deseperados?
Não. Tenho pessoas que sofreram transformações corporais, morfológicas - por exemplo, uma gravidez que estraga quase tudo e, também, a felicidade - , ou que estão a ficar velhas.
 
As pessoas procuram algo que já foram?
Sim, mas isso não é pecado nenhum.
 
A sua velhice também o preocupa?
Claro. Não fujo. Gostava de ter menos 30 anos, ser o cirurgião plástico que sou e ter a experiência de vida que tenho. Era ouro sobre azul, mas não é assim.
 
Não há charme possível no avançar da idade?
Acho que sim. Aliás, a Jane Fonda está a fazer um filme sobre sexo aos 69 anos. Bom número!
 
Na praia, pensa no que poderia modificar nas pessoas?
Nunca olho para as pessoas nesse sentido. Vejo tudo sem ser pelo olhar da cirurgia pllástica. Por exemplo, não sei operar narizes. Às vezes, vejo narizes enormes, e tenho pena, porque sinto que as pessoas têm uma certa retração. Preocupam-me as pessoas obesas, mas isso não é para a cirurgia plástica. Antes de ser cirurgião plástico, sou médico. E como médico interessa-me a saúde das pessoas. Quando um médico cura uma doença fico todo contente.
 
A beleza é um problema de saúde?
É difícil conceituar a beleza. Vê-se, reconhece-se facilmente... Mas sim, talvez seja.
 
Que outros hobbies tem além de fotografar e gostar de salvar gatos?
Gatas. Gosto de salvar gatas. [risos]
 
Um cirurgião é o que existe mais próximo de Deus para a nossa aparência?
É, embora a alma seja difícil de descobrir lá dentro.
 
Pedem-lhe milagres?
Nunca me pediram, mas faço-os.
 
Considera perigosa ou vantajosa a ideia de que tudo hoje pode ser reconstruído, moldado, adaptado?
É muito superficial. Ninguém pode ter o nariz do Michael Jackson. A cirurgia plástica tem limites sobre os tecidos humanos. Porque é que sou contra o photoshop? Porque é falso. No computador é fácil, mas quando passamos para a parte prática, não é possível fazer coisas tão fantásticas.
 
O seu trabalho é a busca da perfeição?
Há essa busca, não exactamente da perfeição, mas daquilo que é razoável e bonito. O que é que é perfeito na beleza? Não sei. Cada pessoa tem que gostar de si mesma. Se houver coisas que por qualquer motivo se alterem, então sim, a cirurgia plástica tem um papel de equilíbrio.
 
Não é subversiva essa idea de que vamos sentir-nos tanto melhores quanto mais bonitos formos?
Não é errado pensar nisso. Há é limites.
 
Qual foi o último belo trabalho que fez no rosto de alguém?
Um fce lift lindo de morrer. . Uma reconstrução brutal do pescoço, da cara, dos olhos, sem uma única nódoa negra. Dezasseis horas depois o doente estava em casa.
 
O título "médico dos famosos" ajuda-o a angariar doentes anónimos?
Não sou o médico do jet set, não tenho nada a ver com isso. Não sou isso, não sou essas pessoas, não tenho nada contra elas, mas não sou assim. Os meus doentes não estão disponíveis nos googles. Defendo isto: visibilidade sim, das operações, mas nunca dos doentes. A maior parte dos meus doentes não é famosa nem quere ser.
 
A cirurgia plástica é também uma questão de ego?
Claro, um bocado e é bom.
 
Do ponto de vista da medicina, a cirurgia estética é levada completamente a sério ou é uma especialidade da segunda divisão?
Não há cirurgiões estéticos. O que há é uma especialidade chamada cirurgia plástica, reconstrutiva e estética. Essa coisas dos estéticos é criada por quem não é cirurgião plástico. Quem não tem preparação para isto, vai criar dano e o dano em cirurgia plástica é irreversível. Em geral, os cirurgiões não gostam de ver coisas mal feitas, até se incomodam um bocadinho. O ideal é que tudo corra bem a toda a gente e para isso é preciso estar habilitado.
 
Consegue operar-se a si próprio?
Consigo fazer algumas coisas, se quiser...
 
E quando não consegue, quem o faz?
O António, o melhor cirurgião geral do mundo.
 
Recusou participar na "Quinta das celebridades" alegando que seria uma deslealdade para com os seus colegas. Qual foi a razão verdadeira?
Acha mesmo que eu ia para a Quinta das Celebridades? Isso são as coisas que passam acerca de mim; não passam outras, é pena. Não tenho nada contra a Quinta, mas não sou aquilo.
 
Não é aquilo, mas é as revistas cor-de-rosa, onde costuma aparecer?
Há necessidade de um certo marketing, mas eu já passei por isso e não me alimento de coisas de há dez anos. Já passei a fase da guerra.
 
Quer dizer que no Algarve, para onde vai agora, não irá frequentar os locais da moda?
Acho que não. Só se o meu filho quiser ir e sobretudo se quiser que eu vá com ele.
 
Ainda são as mulheres que o procuram mais?
Não tanto assim. Hoje há um equilíbrio grande, pelo menos na minha prática, terei 40 por cento de pacientes homens.
 
O que é que eles lhe pedem?
Não pedem, é uma necessidade porque têm uma disfunção. Olhe o pneu do Norte, isso não sai com ginástica. As pálpebras, os músculos da face cansados, o tempo, a   gravidade. Podemos corrigir isso com sensatez, nunca perdendo a expressão. Os homens não põem mamas, tiram. Até na praia se sentem mal, não tiram a t-shirt.
 
A principal preocupação das mulheres é sempre o peito?
Há um equilíbrio entre a face e a região toráxica.
 
O que é que custa mais a uma mulher: a flacidez do peito ou as rugas da cara?
Não lhe consigo transmitir essa ideia exactamente, mas julgo que as mamas são o símbolo da feminilidade, portanto aparenta ser a grande preocupação estética delas. Você não pode deixar uma miúda de 16 anos sem mamas. Os pais tem que estar com ela e não podemos deixar que a melhor fase da vida de uma pessoa seja passada em sofrimento porque tem a mais ou a menois.
 
Mas é contra a cirurgia estética nos adolescentes. Abre excepção para esses casos?
Sou totalmente contra as campanhas para adolescentes, mas também digo que eles não são burros nem os pais. Entendo que é bom fazer um aumento mamário quando não há mamas porque não se justifica toda aquela perturbação de inserção social que se gera à volta disso: os estudos a começar a flahar um bocadinho, as idas para discotecas até altas horas da noite... por causa daquilo? Bolas, dez mil euros resolve isso.
 
É esse o preço?
É mais ou menos. É um carro em segunda mão.
 
Diz que não aceita pagamentos em leasing. Porquê?
Não aceito cheques pré-datados. Se os aceitar, tenho que operar seis vezes por dia e há cirurgias que só faço uma vez por dia: facelift, implante mamário. Agora, também entendo que há pessoas que confiam em mim e que não têm dinheiro.
 
O que faz a esses doentes?
Opero-os centenas de vezes, à borla. Paga o hospital. Não estou aqui pelo dinheiro. Não como marisco, sou alérgico. Agora há um Banco que propôs trabalhar comigo, portanto, há uma possibilidade nova. No entanto, nunca discuti preço com os doentes e continuarei a não o fazer.
 
Continuo sem perceber o que o choca num pagamento a prestações...
Perda de confiança médico-doente. Você esta a fazer um negócio. Se alguém não tiver dinheiro, não é por isso que deixa de ser operado. Não é só um joelho que dói, lá dentro também doi. A única facilidade que dou é poder pagar em moedas. Um doente pagou-me 20 mil euros em moedas de dois euros.
 
Sente-se um artista ou um médico que opera desprovido de emoções?
Sou um artista. Tenho emoções e tenho técnicas. Mas as pessoas estão-se nas tintas para as técnicas; querem é bons resultados.
 
Gostava de ser parecido com quem?
É evidente que gostava de ser o Brad Pitt ou os meus amigos indianos, que são lindérrimos.
 
Gilles Lipovetsky diz que "A moda está a tornar-nos cada vez mais problemáticos com nós próprios e com os outros". Concorda?
Não. Consultar um cirurgião olástico é uma atitude íntima; não tem nada a ver com o que é fashion. Agora se há pessoas que me pedem para mudar, porque não? É normal.
 
A beleza pode ser o segredo da felicidade?
Há caminhos pouco terrenos para lá chegar, mas a beleza ajuda muito. Escrevi um livro onde falo de madre Teresa de Calcutá e de Claudia Schiffer. São duas pessoas bonitas, contudo, eu iria direito para a Schiffer.
 
Acha mesmo que é o melhor na sua área?
Acho, e não só o melhor aqui do burgo


publicado por JN às 00:01

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