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Domingo, 2 de Março de 2008

Bruno Nogueira: "José Sócrates é do tamanho do que vê porque é ambicioso"

 

 

É o rapaz tímido do humor mordaz. E o rapaz dos anúncios que todos sabem de cor. O mesmo que prescindiu da confortável exclusividade com a SIC para percorrer o país com um solo de textos agudos. E é o rapaz que, quase em segredo, escreve bela poesia. Bruno Nogueira, 26 anos, é o rapaz perfeito-perfeito?

 

Nicole Kidman é obrigada a cheirar a Chanel nº5 nos eventos. A Super Bock também o obriga a beber cerveja sem álcool em público?
[risos] Não, não. Bebi cerveja sem álcool durante uns anos, mas hoje prefiro com álcool.

Que sentido faz divulgar uma cerveja sem álcool com voz alcoolizada?
A publicidade é uma fonte de rendimento tão alta que faço o que me pedem e não o que acho que faz ou não sentido.

É tão insatisfeito como a personagem desse anúncio?
Não. Não tenho paciência para ser pessimista.

É preciso beber uma bebida ‘perfeita’ para dizer uma palavrão - mesmo invertido - na campanha a um banco?
[risos] Não. Mas foi uma boa jogada de marketing. Falou-se mais disso do que eu esperava.

O que acha da ideia de acabar com a publicidade na RTP, defendida esta semana por Luís Filipe Menezes?
É uma ideia lindíssima que, na prática, não faz sentido. Mas soa bem, é o que todos querem ouvir.

O líder do PSD precisava de uma campanha publicitária?
Provavelmente. Uma campanha mais realista do que aquela que ele tem andado a fazer.

Que slogan recomendaria?
“Menos palavras”.
 
O que poderia um político aprender com um humorista?
A comédia tem a vantagem de poder dizer o mesmo que um político, mas de forma menos chata.O problema da política é que é muito enfadonho ouvir sempre as mesmas coisas, só  que com cores diferentes.

Tropeçando em José Sócrates, que dedo(s) da mão lhe levantaria?
[risos] Não sei bem... O polegar direito para cima e o polegar esquerdo para baixo, porque só a longo prazo vai perceber-se o que ele anda a fazer agora.

O Primeiro-ministro é “do tamanho do que vê ou do tamanho da altura dele”?
É do tamanho do que vê porque a ambição dele é muito maior do que o seu tamanho.

A citação da pergunta anterior foi retirada de um poema de Alberto Caeiro e deu nome ao seu primeiro espectáculo a solo. Fernando Pessoa é inspirador para si?
Ele e outros autores, sim. Gosto muito de poesia.


É por isso que a exercita no blogue ‘Corpo dormente’?
Ganhamos a vida a fazer o que é mais bem aceite pelas pessoas e o que julgamos fazer melhor. Faço comédia porque é o que domino mais. Mas no blogue não quero ser engraçado. Escrevo ali coisas que penso, porque não tenho outro espaço para as dizer.

A poesia é o próximo passo?
Tenho demasiado medo para arriscar, mas é um gosto que tenho.

Escreveu o comovente poema ‘Fim do banco’ sobre o “terceiro andar da idade”. A velhice é território onde não entra para fazer humor?
Não tenho temas proibidos, mas alguns custam-me mais do que outros – como esse. Talvez por ter convivido muito com a minha avó, que acompanhei até aos últimos dias. De cada vez que vejo uma pessoa idosa, independentemente de ela estar triste ou contente, emociono-me.

Sendo o seu humor ‘ingenuamente forte’, alguma vez deu consigo a pensar: ‘desta vez fui longe demais’?
Não. Mas usei para a TSF [“Tubo de ensaio”, programa diário] um texto sobre a fome em África que levantou grande polémica. As pessoas esquecem-se que o dever do humorista não é informar – é fazer humor. Com o que tenho vivido na rádio, acho que evoluímos muito pouco desde 1974.

Há censura?
Mais camuflada, mas existe.

O “senhor do bolo” [referência a Francisco Pinto Balsemão na festa de aniversário da SIC, em 2003] alguma vez confessou achar-lhe piada?
Não só nunca confessou, como nunca o vi.

Quer só fazer rir ou pretende  que o seu humor seja como uma mosquinha de Platão a espicaçar consciências?
Gosto de provocar uma equação qualquer na cabeça das pessoas – algo que as faça rir e, mais tarde, pensar. O humor é uma arma demasiado poderosa.Há tanta gente disposta a ouvi-lo, que seria uma pena não o aproveitar para pôr as pessoas a pensar.

O seu cabelo vai aparecendo  mais despenteado à medida que a sua popularidade cresce. É o seu barómetro?
[risos] Não. Ultimamente é mais por falta de paciência. Mas também porque fico completamente ridículo penteado.


publicado por JN às 03:52

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