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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Anabela: "Seria um desafio posar para uma revista masculina"

 

 

Mal acaba a entrevista, uma menina de não mais de quatro anos salta-lhe para o colo. "Vais ter de me dar um autógrafo", diz a saltitar pelos corredores do Rivoli. Anabela, menina de 31 anos, que cantou "a cidade até ser dia" no festival da canção de 1993, rende-se, pega nela, desfaz-se num imenso sorriso - o mesmo do musical "Música no coração".

 

Anabela sem Braz e sem Pires. Porquê abdicar dos apelidos?
Porque é mais simples assim. É exactamente sou: simples.

Passar 'de menina de festival' a 'menina do La Féria' significa que ainda não tem coragem de ser menina de ninguém?
Não. Já sou mulher, mas por ter começado muito jovem, e por ter este aspecto de menina, as pessoas continuam a ver-me como a menina que ganhou o festival.

No musical "Música no Coração", Maria, sua personagem, era noviça de convento antes de ir governar a casa do capitão Von Trapp. La Féria é, de certa forma, o seu capitão?
É e tem sido uma pessoa que me tem ensinado muitíssimo. Devo-lhe tudo o que sei de teatro. Se trago alegria para o trabalho – como Maria levava para casa do capitão – não sei, mas procuro fazê-lo.

Nunca tentou sustentar a sua carreira de outra forma que não através da voz. Posar, numa produção mais sensual, para uma revista masculina está à partida fora de questão?

Não sei, nunca pensei nisso. Mas seria um desafio fantástico. Há revistas que têm produções com grande dignidade. Acho que o faria, dependendo da forma como abordassem a questão.

Ter representado várias vezes Portugal no estrangeiro faz si uma patriota?
Faz. Amo o meu país, apesar das suas coisas menos positivas. Mas é a terra onde nasci, não me vejo a viver noutro lugar. Adoro a nossa cultura, a música, o povo.


Isso significa que também defende os políticos portugueses e as suas políticas?

Não. Nada de politiquices. Vivo completamente  fora disso.

Foi indiferente à demissão da ministra da Cultura?
Não. É importante que haja uma reviravolta, mudanças drásticas no que diz respeito à politica cultural. Mas não acredito que por mudar o ministro vá mudar a política. As coisas vão ficar mais ou menos na mesma ou pior.

Ganhou a Grande Noite do Fado aos 12 anos sem gostar de fado. Já se reconciliou?
[risos] Já. Com 12 anos o fado era coisa demodé, de velhos –  achava eu. Fui lá com vergonha: "O que vão pensar os meus colegas?". Quando saí na primeira página do jornal pensei: "Pronto, estou tramada". Depois, comecei a conhecer fadistas, o que é o fado de verdade, comecei a cantar. Hoje, acho que tem muito a ver com o meu timbre, com a minha forma de expressão.

E ao Festival da Canção, voltaria a concorrer?
Não! O festival mudou muito. Antes, o intérprete era fundamental para defender a canção, mas o importante era a música e a letra. Era um festival de compositores e autores. Hoje, o que conta é a imagem, a grande produção, os bailarinos.

Vê programas como o “Ídolos” ou a “Operação triunfo”?
Espreito. Tenho curiosidade. E acho que são importantes. Só que é tudo muito efémero. Antes não era tanto assim, mas hoje há muita concorrência, muita a gente a cantar. Esses programas podem alimentar sonhos que depois não têm seguimento na vida de muitas pessoas. Por outro lado, uma pessoa minimamente com os pés na terra tem que perceber que as coisas podem não ter futuro. Mas se as pessoas virem a participação como uma realização pessoal naquele momento, em que querem usufruir dele, então, é fantástico. São também óptimos programas de entretenimento.

Se um dia perdesse a voz, a Psicologia seria o caminho?
Talvez. Nunca exerci, embora tenha sido fantástico fazer o curso. No futuro, se a preguiça não se apoderar de mim, gostava de aliar a psicologia à música e à performance artística. Dar apoio aos artistas, encenadores, é fundamental e é algo que ainda não existe em Portugal.

O que leva uma psicóloga a interessar-se por medicinas alternativas?
A curiosidade.

Recorre a ela?

Recorro à medicina convencional, mas gosto muito da massagem shiatsu, de ir às ervanárias. Tento conciliar e não ir sempre para os químicos, até numa base de prevenção. Gostava também de tirar um curso de massagens. Sempre tive muita curiosidade e acho que tenho algum jeito..

Como é que aos 16 anos, no auge da popularidade, conseguiu disciplinar-se para se candidatar ao ensino superior e terminar o curso em seis anos?
Não sei. Sempre fui muito organizada. Os meus pais nunca tiveram necessidade de me dizer: "Vai estudar". Quando ganhei o festival lembro-me de ir para os espectáculos, e tinha muitos, era uma loucura – andava no 11º ano – e estudar até entrar no palco. Sempre tive dentro de mim que não queria deixar de estudar. O sucesso não tem nada a ver. Sempre soube conciliar, com esforço e com persistência, sabendo sempre o que queria. 

 

Nunca se deixou deslumbrar?

Tem a ver com a minha essência, com a minha educação. Os meus pais são pessoas simples, sempre me transmitiram esses valores, essa ideia de que as pessoas têm que continuar a ser as mesmas independentemente do seu sucesso.

Foi praxada na faculdade?

Fui, mas muito soft. Não tenho nenhuma má recordação.

O que ouve no  ipod?

Ainda não tenho ipod, mas quero comprar. Em casa ouço música muito variada: Michael Buble,  Diana Krall, Elis Regina, Sara Von, Rui Veloso, fado…

 

Chorou quando recebeu o Globo de Ouro pelo musical “Música no Coração”. É muito emotiva?

Sou. Chorei porque é sempre emotivo sermos reconhecidos. O Filipe tinha a certeza de que não íamos ganhar e eu tinha uma leve esperança. Que bom, que felicidade, por mim e por todos. Foi  muito gratificante

 

O que comove fora do palco?

Os gestos de amizade, de entreajuda, as pessoas de idade que têm coisas para me dizer, as suas histórias de vida, o sorriso dos meus pais, os meus amigos, os abraços que lhe dou. A alegria também me comove pelo seu lado positivo, pela comoção que me dá.

Tem muitas saudades de casa ou Lisboa é já ali?

Lisboa é já ali ao fundo da rua. E sinto-me feliz aqui, sinto-me quase em casa.


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publicado por JN às 05:04

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