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Domingo, 29 de Julho de 2007

Ricardo Araújo Pereira: "Sente que tem perdido boas oportunidades para estar calada?"

 

 

Helena Teixeira da Silva

Está de férias, e não é na Tailândia. Não atende o telemóvel, mas responde ao SMS, aceitando o desafio. O resultado chega, por mail, três dias depois. Perto das quatro da manhã. Ricardo Araújo Pereira, 33 anos, o mais mediático gato fedorento,  oscila entre a capa e a espada. Em off, espera não ter sido “desagradável”.

O que responde quando lhe perguntam a profissão?

Guionista.

 

Ser, também, humorista é como ser polícia: nunca está de folga?

Gostava imenso de fazer a rábula do humorista atormentado, que é tão linda, mas a verdade é que não sinto esse fardo.

 

As pessoas esperam que tenha sempre uma piada no bolso?

É raro alguém esperar alguma coisa de mim – atitude que considero bastante sensata.

 

É cansativo?

Comparado com assentar tijolo, não.

 

É confrangedor quando jornalistas como Judite de Sousa ou Ana Sousa Dias tentam, elas próprias, ter piada quando o entrevistam?

Não me parece que elas o tenham feito.

 

Uma vez, Miguel Sousa Tavares disse que se sentia 'idiota' a ter opinião sobre tudo. Sente o mesmo quando escreve para a "Visão"?

Como se eu precisasse de escrever para a “Visão” para me sentir idiota…

 

Já reparou que é mais fácil ouvir a "voz" dos "gatos" nas crónicas que José Diogo Quintela escreve para o "Público" do que nas suas?

Mas repare que, se enrolar a minha crónica e encostar o canudo à orelha, consegue ouvir o mar.

 

 Aceitaria pacificamente ser ultrapassado por ele no ranking de popularidade?

Sim, mas só se as pessoas dissessem que eu continuava a ser o mais sensualão.

 

O Ricardo superou a do Herman José. Porque é que não consegue não ser condescendente com ele?  

Se digo que o Herman é o maior humorista português é menos por condescendência e mais por amor à verdade.

 

Neste momento, conseguiria viver só das campanhas publicitárias?

Como calcula, não vou perder a oportunidade de lhe responder com as imortais palavras de Paulo Futre: “Primeiro diz-me quanto ganhas tu, Manuela”.

 

Só estudou em instituições cristãs: as vicentinas, os franciscanos, os jesuístas, a Católica. Que espécie de significado pode ter para um ateu estar na mítica idade de Cristo?

Rigorosamente nenhum, creio. Talvez, para um ateu, seja particularmente ridículo morrer com esta idade. Vou fazer um esforço extra para não falecer durante este ano.

 

Aderiu ao PCP quando já tinha idade para não ter propriamente ilusões. Mesmo assim, só aguentou seis anos. E justificou a saída com episódios que, de uma forma ou de outra, já tinham acontecido no passado. Foi um capricho, mais do que uma convicção, essa militância?

É possível que, no passado, o líder da bancada parlamentar do PCP tenha dito que a Coreia do Norte talvez fosse uma democracia. Mas em 1975 toda a gente dizia parvoíces. Continuar a dizê-las em 2004 já não me parece tão giro.

 

O que o fez votar em Mário Soares nas últimas presidenciais?

Não sei se reparou nos outros candidatos…

 

Sente que perdeu uma excelente oportunidade de estar calado no "Dança Comigo" quando brincou com Odete Santos? Já fizeram as pazes?

A drª. Odete Santos dançou um tango e eu disse que era um privilégio raro podermos ver um deputado a suar. Fui admoestado, evidentemente. A piada era um pouco demagógica, e sabemos todos como os políticos detestam demagogia. Estava mesmo convencido de que era uma piada inocente e banal, mas afinal tratava-se de uma generalização perigosa para a democracia – e até, suponho, para a própria Humanidade. Mas, duas ou três semanas antes, 119 dos 230 deputados tinham faltado à Assembleia da República, antecipando a ponte da Páscoa e inviabilizando as votações por falta de quórum. Se os senhores deputados não gostam de generalizações, não deviam faltar generalizadamente.

 

Gosta realmente do equipamento rosa do Benfica?

O que é que há para não gostar? Tem lá o emblema e não é às listas. Satisfeitas estas duas condições, até gosto de um pano da loiça.

 

O que seria mais desapontante, no futuro: que uma das suas filhas se declarasse sportinguista ou homossexual?  

É evidente que ficaria mais desapontado se as miúdas fossem sportinguistas. Ser homossexual não é defeito.

 

Está de férias. Avisou a Polícia de que iria ausentar-se?

Sim, como todos os arguidos obrigados a termo de identidade e residência. Devia ter avisado também o 24 Horas, que me inventou umas férias bem melhores do que aquelas que de facto tive.

 

Se só pudesse comprar um livro, optaria pelo "Foi assim" de Zita Seabra ou pelo último de Woody Allen, "Mere Anarchy"?

Já comprei o do Woody Allen e ainda não tenho o da Zita Seabra.

 

O lema dos "gatos" é o dos mosqueteiros?

Quase. O nosso é: “Um por todos e todos por um, desde que nenhum já tenha coisas combinadas.”

 

Tem vícios de filho único?

Espero que sim, mas também tenho outros. Tento diversificar os meus vícios.

 

 Alguns sketches utilizam expressões quem entram na moda: "Então vá"; "É assim", etc. Nunca se lembrou de usar a expressão "top"? [O restaurante X é top; a música Y é top...]

Não, mas fica prometido. Parece-me que essa expressão é top.

 

Há vinganças cifradas nos sketches?

Claro. De outra forma, qual era a graça de os fazer?

 

 Há quem não aceite responder a estas pequenas provocações; e há quem aceite,  mas acabe por fazer inversão marcha quando lê as perguntas. Os portugueses ainda não conseguem rir deles próprios?

Confesso que não sei. Sente que tem perdido boas oportunidades para estar calada?

 

 

 

 


publicado por JN às 03:39

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