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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

José Luís Peixoto: "Queria mesmo ser o professor Pardal"

 

 

Tem 33 anos, há sete que vive só do que escreve. E o que escreve é da literatura portuguesa mais traduzida no mundo. José Luís Peixoto, contrário do alentejano que vive devagar, tão depressa ganhou o prémio Saramago como passou a ter o seu  nome atribuído a um galardão para jovens escritores.  Se já era diferente antes, agora, diz, é ainda mais.

Foi mais difícil conquistar o prémio Saramago, ou Saramago,  o escritor?
Não me sinto à vontade com o verbo "conquistar". Não creio que tenha conquistado o escritor. E o prémio conquistei-o só uma vez.

José Saramago faz parte dos escritores a quem enviou o seu primeiro livro "Morreste-me"?
Faz.

António Lobo Antunes também integrou essa lista. E respondeu-lhe. E Saramago?
Não, não me respondeu.

O que diria a D. Duarte Pio se, à sua frente, ele dissesse o que diz sempre: que Saramago escreve muito mal?
Não dizia nada; ouvia-o. Ninguém deve ficar chateado com uma opinião. Nem sequer Saramago.

Irrita-o mais autores maus que vendem muito ou autores bons que vendem pouco?
Nada me irrita. Tanto me faz.

As suas compras literárias são influenciadas pelo top?
Não.

Viver só da escrita é um alívio ou um sufoco?
É um alívio. E uma honra.

A sua escrita é influenciada por Lobo Antunes, com quem irá alterar a crónica na Visão. Partilha com ele a ideia de que a crónica é um registo menor?
Não. Aliás, ando há uma quantidade de anos a tentar escrever crónicas e ainda não consegui.

Prefere ler livros na língua original, ou em português, mesmo que na tradução se perca alguma coisa?
Isso não é um critério de leitura. São duas coisas diferentes e eu tenho dificuldade em comparar tudo o que é diferente.

Nos EUA, por exemplo, o seu livro "Nenhum olhar" terá o título "The Implacable order  of things". É um adulteração ou um valor acrescentado?
Isso não depende de mim. É uma escolha do editor e eu respeito-a. Eu tenho questões mais importantes para pensar do que essa.

Faz sempre questão de conhecer os países que o conhecem a si através dos seus livros?
Em princípio,  eu quero sempre conhecer o máximo do mundo – com ou sem os meus livros.


Jorge Luís Borges imaginava que o paraíso seria parecido com uma livraria. Imagina-o assim também?
Não. Uma livraria tanto pode ser o paraíso como o inferno. O paraíso tem que ser um lugar onde as pessoas se tocam e não um lugar onde estão sozinhas com palavras.

 

De música, gosta sobretudo de heavy metal. O que tem a música pesada de leve para si?
É muito difícil responder. Tem a ver com a minha natureza e com a minha experiência e construção enquanto pessoa que ouve música. Transmite-me uma energia que considero sempre positiva.

E nesses concertos é adepto do mosh?
Não! Tenho 33 anos. Prefiro uma mantinha em cima dos joelhos.

Teve uma banda chamada "Hipocondríacos". Definia as reais obsessões da banda?
Não. Era uma palavra que considerávamos que definia a sociedade. A banda tinha uma vertente social – primitiva, mas empenhada. 


Escreveu uma música para os Da Weasel chamada "Negócios estrangeiros" na qual pergunta a um presidente se já foi ao Intendente? Estava a pensar em quem?
Em todos os presidentes da República, da Junta, em todas as pessoas que ficam nesses cargos e que perdem de vista o que é essencial.

 

Quando era pequeno queria inventar uma máquina que resolvesse os problemas das pessoas. Não a inventou, mas escreve livros que são receitados pelos psiquiatras. Sente-se o MacGyver das palavras?
[risos] Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva. Mas fico contente quando alguém encontra um uso prático para aquilo que escrevo. Ajuda-me a responder à questão: "Para que se escreve?" Se ajudou uma pessoa, já valeu a pena.

MacGyver é precisamente um dos ícones da geração que tem agora 30 anos, que foi adolescente nos anos 80. É a sua. Com que ícones cresceu?
 Tantos! Foram os anos em que tudo era muito marcante. É infindável a lista de referências. Estava a aprender tudo pela primeira vez.  Mas o que queria mesmo era ser o Professor Pardal. Queria ter ideias iluminadas que resolvessem problemas.

Dizia sentir-se diferente nessa altura da adolescência. E agora?
Mais diferente ainda. O olhar das pessoas inibe-me, transforma-me, faz-me ser uma pessoa diferente.  

É muito sensível ao olhar das outras pessoas?
Não à avaliação, porque é sempre imperfeita; mas ao olhar sim, sou.

Os seus livros são densos. E o escritor é bem humorado?
Muito bem humorado. Mas fica mal ser eu a dizê-lo.


publicado por JN às 03:12

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