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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Marcelo Rebelo de Sousa: "Suceder a Cavaco Silva seria um duplo privilégio"

 

Marcelo Rebelo de Sousa não é Marcelo Rebelo de Sousa se uma das suas mãos não absolver e a outra não criticar. Exercício permanente de ‘amor à verdade’. O professor, 60 anos, que convenceu o país a pendurar olhos na televisão ao domingo à noite e  bandeiras na janela pela Selecção, conseguirá ser levado por Portugal para Belém?

 

 

Nunca diz nunca ou nunca mais voltará à política activa?

Já uma vez disse: “Nem que Cristo descesse à terra”. De facto, Cristo desceu à terra. Portanto, em princípio, não tenciono cometer esse erro outra vez.

 

Consegue então fazer previsões para daqui a sete anos?

Não, não consigo. Em oito anos nasce muita gente, morre muita gente, e muita gente que vive num sítio vai viver para outro. É impossível prever quem estará vivo ou em condições daqui a oito anos.

 

Mas suceder a Cavaco Silva em 2015 seria um privilégio?

Ser Presidente da República em Portugal é sempre um privilégio. Suceder a Cavaco Silva é um duplo privilégio. Ser candidato de uma área, que é a área dele, depois de dez anos de um presidente dessa área, é uma extrema dificuldade. Tanto que Cavaco Silva vai ser um grande presidente.

 

Em quem aposta para correr pela Esquerda: Guterres, Vitorino, Sócrates?

São os três nomes possíveis.

 

E pela Direita, além de Júdice?

Barroso, certamente. Pode ser que José Miguel Júdice, ao posicionar-se mais ao Centro, também pense nisso. Santana Lopes guarda sempre esse sonho - com o culto que já não é um culto, mas um sonho secreto - de poder ser candidato presidencial. Portanto, já tem aí candidatos que chegam e que sobram.

 

E mais à Direita disso?

Não sei se Paulo Portas ainda mantém nessa altura condições para ser candidato a Belém.

 

Esse ‘ainda’ quer dizer que  hoje haveria condições?

Mesmo neste momento parece-me difícil. Penso que ele não conseguiu recuperar a imagem desgastada do passado recente. Mesmo quando aquilo que faz é bem feito.

 

Ressuscitou cedo demais?

Acho que a marca do passado recente foi forte demais. Ou, pelo menos, mais forte do que ele pensaria.

 

Vamos retroceder de 2015 para 2009. Na relação dos designados barões do PSD com Luís Filipe Menezes, diria que “pela boca morre o peixe”?

 

O próprio Luís Filipe Menezes não deve achar isso estranho, uma vez que ele próprio se opôs Marques Mendes fazendo oposição sistemática durante dois anos.

 

Menezes tem 32% do PSD. Terá sopro suficiente para chegar a 2009 ou preferia Rui Rio?

Eu sou defensor da estabilidade das lideranças partidárias. Até porque fui vítima da não estabilidade. E a estabilidade significa – já o defendi para Marques Mendes e não vejo motivo para mudar de opinião agora, independentemente de gostar menos ou mais de Menezes, e obviamente não gosto o que gostava de Marques Mendes – que Menezes deve ir a eleições em 2009.

 

É por isso que lhe dá dicas no seu blogue do ‘Sol’?

Não. Dou-lhe dicas porque Sócrates governa tão mal que não merece ganhar em 2009. E só há uma maneira de não ganhar, que é haver alternativa. A alternativa só pode ser PSD.

 

Menezes e Santana Lopes são o Dr. Jekyll e Mr. Hyde da política ou não serão tão íntimos?

Não é um problema de intimidade. O problema é um deles ter uma notoriedade clara na vida pública portuguesa, que pode apagar o outro. Neste caso, Santana Lopes está de alguma maneira a apagar Menezes.

 

Para José Sócrates 2008 será um ano porreiro?

Vai ser tudo menos um ano porreiro. A olhar para as bolsas internacionais e para os anúncios de recessão ou pelo menos de desaceleração na América, vai ser um ano muito complicado para José Sócrates.

 

Quer dizer que, a existir vitória em 2009, será suada?

Muito suada. É evidente que depende do que for a situação económica e social, lá fora e cá dentro. Mas como a única vitória que importa a Sócrates é a maioria absoluta, vai ser muito suada.

 

A verificar-se remodelação no Governo, o país ganharia se Sócrates libertasse Teixeira dos Santos para uma candidatura à Câmara do Porto?

Não acredito nada. Sócrates terá grande relutância em remodelar. E deitar fora um dos três ou quatro melhores ministros do seu Governo seria suicida. E não acredito que ele seja suicida. Logo, se é difícil que ele aceite deitar fora outros ministros que têm muito menos peso, não acredito que irá deitar fora Teixeira dos Santos. Dito por outras palavras, não vejo como é que o PS pode tirar o Porto a Rui Rio.

 

Que ministro dispensaria?

Vários. O ministro das Obras Públicas, obviamente, até por tudo o que se passou. Mas pode somar-lhe o ministro do Ambiente, o ministro da Economia, o ministro da Agricultura, a ministra da Cultura. E, obviamente, o ministro da Saúde. E é melhor parar aqui.

 

Isso seria quase um novo Executivo…

Implicaria mudar muita gente, sim. Mas não acredito que Sócrates - conservador como é – faça revisões nesta matéria.

 

Sobre o desfecho da história BCP: preocupa-o a vitória esmagadora de Santos Ferreira?

Fico preocupado, porque embora esta solução dê estabilidade ao BCP não representa a melhor solução para uma sociedade civil forte com uma iniciativa privada em crescendo, como seria de esperar volvidos 34 anos sobre o 25 de Abril.

 

Representa o quê?

Representa, com a proporção de votos verificada, o somatório do mérito de Santos Ferreira, com o empenhamento do Governo português, com o empenhamento do Governo angolano e a sensibilidade dos accionistas privados em Portugal que se sentem responsáveis por uma evolução que conduziu até onde conduziu. E por isso se prestam a uma solução, que é a solução, a seu ver, a mais lógica. Quando o capital privado não é capaz de resolver as situações, em Portugal, tradicionalmente, encosta-se ao Estado.

 

Qual foi o principal mérito da candidatura de Miguel Cadilhe? Há derrotas que, como ele disse, são vitórias?

No fundo, foi ver isto. Lutando contra uma organidade inelutável e conseguindo que os pequenos accionistas, de forma esmagadora, o apoiassem.

 

Se Armando Vara fosse personagem de uma obra literária ou cinematográfica, identificá-lo-ia com quem?

Vejo-o mais como uma realidade de uma vida partidária - neste caso, do Partido Socialista - muito activa, determinante, e tenho dificuldade em encontrar, mesmo no quadro da vida partidária, características de liderança, de importância, de destaque, que o identificassem com uma grande figura de uma grande obra literária ou cinematográfica.

 

A propósito de vitórias, Ricardo Araújo Pereira contribuiu para aquela que disse ser a sua maior derrota de sempre?

Acho que sim. Ricardo Araújo Pereira teve talvez a intervenção mais eficaz - e só não digo mais inteligente para não ofender outras que porventura também houve ou tenha havido muito inteligentes – mas a mais eficaz a favor do ‘sim’ no referendo do aborto.

 

Revê-se naquela hipérbole que ele constriu?

Globalmente, é muito o retrato do meu estilo, que é o estilo de um professor. Quando vejo as minhas escolhas na RTP, lá encontro os gestos, para um lado e para o outro, os prós e os contra, os argumentos de um lado e do outro. Está lá a linguagem gestual e muito do estilo do professor que está a explicar certas matérias. Tudo isso é apanhado por Ricardo Araújo Pereira.

 

E acha piada?

Muita piada. Sou, desde o início, um heterodoxo e um rebelde. Mau seria que eu, que critico toda a gente quando merece - para bem ou para mal, mas comento -, não aceitasse um comentário sobre mim. E não tirasse proveito do divertido desse comentário.

 

Gosta disso, de ‘bater’ nas suas escolhas ao domingo”?

Não. Então, quando se trata de amigos, não dá mesmo prazer nenhum. Como imagina, um dos problemas do comentador político, no país que temos, que é uma aldeia, é que por cada duas ou três pessoas a quem agrada dos protagonistas primeiros, há sete ou oito ou 12 a quem se desagrada. E a pessoas com egos enormes desagrada muito. Portanto, não é agradável ter a noção de que se desagrada a tanta gente, e sendo muita dela amiga. Mas, como eu já disse várias vezes, mais importante do que a amizade é o amor à verdade.

 

Um comentador é também um entertainer?

Depende. No meu caso, digamos que, às vezes, na TVI, quando estava com o Júlio Magalhães, por exemplo, havia um lado de divertimento. Havia um presente para lá e para cá; havia o emblema do Porto; havia comentários dos mais variados que transformavam o programa em mais do que mera apreciação social, económica e política. Reconheço que na RTP esse lado de entretenimento praticamente desapareceu.

 

A vaidade é superior à fadiga de ter sempre opinião sobre tudo? Ou nem vaidoso nem fatigado?

Há muitas matérias sobre as quais não me pronuncio, ou porque não tenho dados ou teria que ir buscar elementos que me dariam muito trabalho estudar, como saúde ou ciência. Uma coisa é estar à vontade na política, no Direito, na Economia, em matérias mais sociológicas, ou eventualmente mais educativas ou culturais ou religiosas. Outra coisa é entrar noutros domínios em que é mais difícil estar opinar. Nesses casos, prefiro não dizer nada.

 

Qual dos mitos urbanos sobre si lhe agrada mais: dorme quatro horas por noite, dá pareceres a dormir, lê 33 livros ao mesmo tempo?

Nunca ouvi esse último. Não é que goste mais do primeiro, mas é aquele que mais me tem acompanhado ao longo da vida e que mais tem correspondido à realidade.

 

De todas as coisas que a ASAE baniu em 2007, qual é a que lhe faz mais falta?

A ASAE, em 2007, não proibiu grande coisa; prometeu proibir para 2008. O que eu temo desde já é que comece, a pretexto de razões de higiene, a fechar tascas que considero dos melhores sítios para comer em Portugal.

 

Gosta da campanha que apresenta Portugal como o “velho oeste da Europa” ou a semântica geográfica não chega para o convencer?

A mensagem é confusa Uma mensagem forte é uma mensagem única. Ali há várias mensagens simultâneas. E portanto, como há duas ou três mensagens que se conjugam, corre-se o risco de nenhuma delas passar efectivamente.

 

 

 

 

 


publicado por JN às 03:00

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