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Sábado, 29 de Dezembro de 2007

Isabel Pires de Lima: "Sou das ministras mais populares deste Governo"

 

 

Se é contestada, ignora. Extraordinariamente bem disposta, a ministra da Cultura responde com fair-play às críticas e concentra-se nos projectos futuros. Se o futuro for interrompido por via de uma remodelação, Pires de Lima, natural do Porto, não se deixa alarmar. Está, como sempre disse, preparada para sair a qualquer momento. Com a casa devidamente arrumada.

É adepta do ginásio; José Sócrates do jogging. É obrigatório estar em boa forma física para integrar este Governo?

 

Absolutamente obrigatório. Quem não estiver em boa forma física, não aguenta. É preciso “endurance”.

 

Ser ministra da cultura é uma espécie de desporto radical?

 

Absolutamente. Só mesmo gostando de desportos radicais.

 

Quer dizer que é também obcecada pela saúde?

 

Não, não sou obcecada.

 

Faz check-ups regulares?

 

Faço.

 

No sistema de saúde público ou privado?

 

Normalmente, misturo. Há coisas que faço através da saúde privada e outras através da saúde pública. Os meus esquemas de saúde são mistos, sempre.

 

Tem a preocupação de alimentar a imagem mais arrojada do Executivo?

 

Sempre tive a preocupação de ter uma imagem construída, como todos nós. A minha imagem foi sempre construída no sentido de evitar um excessivo ar convencional que, aliás, nunca tive. Seria estranho que o tivesse agora que estou no Governo.

 

Fez uma produção para a Caras na Casa da Música. É a menina dos seus olhos?

 

Não é a menina dos meus olhos. Nem sei sequer qual é a menina dos meus olhos. Nunca pensei nisso. Mas evidentemente que gosto muito da Casa da Música, antes de mais como objecto arquitectónico. E devo dizer que numas das visitas que fiz à Casa ainda como deputada, já na fase final, tive um momento de comoção porque é de facto um objecto estético extraordinário. E acarinho o projecto na área de todas as músicas. Mas não diria que é a menina dos meus olhos.

 

Nas férias consome cultura ou desliga a ficha?

 

Consumo sempre. Faço normalmente férias que conjugam os dois factores. Às vezes, nas férias breves, e sobretudo desde que estou no ministério, não consigo fazer as duas coisas porque preciso de pastar [risos]. Mas normalmente faço sempre férias que conjuguem dois factores: uma componente de natureza e uma componente mais cultural.

 

Foi militante do PCP entre 1976 e 1991. É possível sair do partido à francesa?

 

Eu não sei bem o que é sair à francesa. Se é sair sem que ninguém incomode, acho que sim. Devo dizer que eu não fui incomodada por ter saído do partido comunista. Isso não significa que não tenha tido, eu própria, incómodos. Eu comigo e com a minha reflexão sobre o que é militar num partido e romper com essa militância. É evidente que isso me trouxe preocupações no momento. Agora, nunca fui incomodada em nada, muito menos pelos meus companheiros de partido. Conversei com eles, só.

 

Leu a biografia de Zita Seabra ou bastou-lhe o sound-byte “Fui a mulher-a-dias do PCP”?

 

Bastou-me o sound-byte.

 

Diria que ser política é ser essencialmente capaz de se colocar na pele do cidadão comum?

 

Não, não é só isso. Poderá com certeza passar também por isso, mas não é só isso. Ser política sobretudo num lugar executivo implica capacidade de decisão e de planeamento. E normalmente isso não é exactamente o que se espera do cidadão comum. Importa que em certos momentos nos coloquemos no lugar do cidadão, mas eu não tenho nenhuma dificuldade de me colocar fora do mundo da política. Foi aí que eu vivi a maior parte da minha vida.

 

Sendo do Porto, seria capaz de regressar à cidade para integrar uma lista autárquica

 

Eu nunca estive no poder local. Também é verdade que nunca tinha estado num lugar executivo [(risos]. Há uma coisa que eu aprendo com a vinda para o Governo: foi aprender a nunca dizer nunca. Porque na verdade era a última coisa que há 10 anos eu imaginaria, era vir a ocupar o lugar executivo no mundo da política. Portanto, não digo radicalmente que não, embora não seja uma coisa que se perspective no meu horizonte.

 

Num país de elevadas taxas de abandono escolar e baixo índice de leitura, como explica que o seu pelouro seja um dos mais contestados?

 

Mais contestado a que nível? Está com certeza a falar da opinião publicada, porque eu sou uma das ministras mais populares deste governo. Uma coisa é a opinião pública do tal cidadão comum, que até acha que eu tenho uma presença significativa na governação, e outra coisa é a opinião publicada. E dentro da opinião publicada, distingo várias opiniões: não acho que tenha sido especialmente contestada no vosso jornal, por exemplo.

 

Ou seja, não concorda com esta leitura…

 

Não. Dito assim, não.

 

No seu ministério, o que tem sucedido a cada tempestade?

 

Trabalho. É o que se segue sempre. Sobretudo na área do planeamento, que eu acho que é o menos visível mediaticamente e no entanto é o mais importante.

 

Em cenário de remodelação, continua preparada para sair?

 

Todo o governante em qualquer governo tem que estar preparado para não estar no governo no dia seguinte. Isso tem que estar na nossa cabeça, inclusivamente para nortear a nossa acção. O governo é de todos os lugares executivos na vida política o mais volátil de todos.

 

Se terminasse hoje, o que destacaria como marca da sua passagem pelo Governo?

 

Um grande esforço na área da descentralização da oferta cultural, e uma grande preocupação da racionalização de recursos no Ministério da Cultura. Uma grande arrumação da casa. Uma casa muito desarrumada e que tenho procurado arrumar.

 

Não teme ficar associada ao fim de uma série de projectos: fim do Museu de Arte Popular, fim das capitais da Cultura, fim da Festa da Música…

 

Não. Estou associada ao começo de outras…

 

Por que razão aceita ir hoje à inauguração de uma livraria nas Amoreiras e falhou eventos como o centenário da morte de Miguel Torga ou a exposição retrospectiva de José Saramago?

 

As agendas fazem-se em função de diversas circunstâncias e são ditadas também pelo momento. A inauguração de uma livraria com a dimensão daquela que vai surgir em Lisboa - uma livraria que colmata uma brecha gravíssima no mercado livreiro português e lisboeta que é a inexistência praticamente de livrarias de fundos, com excepção de dois casos de grande resistência e que resistiu com grandes dificuldades -, deve regozijar qualquer ministro da Cultura. É um acontecimento de louvar. Relativamente a esses dois casos que exemplificou, que são duas ausências entre centenas de presenças em muitos outros acontecimentos, um ministro não tem, por mais que a opinião pública queira que ele tenha, o dom da ubiquidade. E, por outro lado, também não tem o dom da presciência, o dom do conhecimento. No segundo caso que evocou, não posso ter a presciência do que vai acontecer se ninguém me comunicar o que vai acontecer. Foi o caso. Não fui convidada, não posso estar presente.

 

Parabenizou Manoel de Oliveira pelos seus 99 anos?

 

Sim, claro.

 

Conhece tão bem a obra dele como a de Eça de Queirós?

 

Não, claro que não, embora seja uma filmografia que conheço bastante, até por razões de atenção a um dos grandes vultos do cinema do século XX português, pelo facto de ser u cineasta que tem relações muito próximas com a literatura, designadamente com o século XIX, no qual tenho trabalhado. Até por isso, conheço bastante. Como mera espectadora.

 

Negociou a vinda para Portugal da Colecção Berardo, a mostra do Hermitage, adquiriu a tela de Giovanni Tiepolo. É caso para dizer que as artes plásticas estão em vantagem sobre todas as outras artes?

 

É injusto. Pense só que neste mandato nós criámos a Fundação Casa da Música (CdM), e o esforço orçamental que o Ministério da Cultura faz para CdM é enormíssimo, muito superior anualmente a todas essas outras coisas que referiu. O esforço anual na Colecção Berardo no primeiro ano foi na ordem dos três milhões para funcionamento mais 500 para fundo de compras. O Hermitage, para o qual conseguimos mecenato, foi orçamentado à volta de um milhão e meio. O Tiepolo também custou um milhão e meio. Significa que tudo isso não chega aos 12,5 milhões orçamentados neste ano que passou para a CdM. Não há de maneira nenhuma um privilegiar das artes plásticas. Aliás, se reparar no nosso orçamento, verificará que os anos de 2007 e 2008 são muito equilibrados entre esforço de investimento na área do património e esforço nas outras artes em geral, sobretudo para apoio às artes (20 milhões no total), onde a fatia mais significativa vai para o teatro.

 

Considera-se boa a negociar?

 

Mas porquê? Acha que foi mau negócio a Colecção Berardo? É que eu acho que foi um excelente negócio. Eu até acho que nós poderíamos comprar mais se tivéssemos capacidade orçamental para isso. O que nós investimos em compra de arte é um montante bastante modesto anualmente. A partir do próximo ano, nós participamos com 600 mil euros para aquisições na Colecção Serralves, 500 para a Berardo, e depois temos orçamentados cerca de 200 mil euros para museus da conservação. Este ano houve essa compra excepcional do Tiepolo. E depois fazemos outras aquisições, na biblioteca, na Torre do Tombo, mas são montantes muito modestos. Agora, negociar, eu até acho que sou bastante boa negociadora. E estou convencida de que vamos ter oportunidade, não sei dentro de quantos anos, de perceber como fizemos um bom negócio com o Museu de Arte Moderna e Contemporânea Berardo.

 

Viajou de transportes públicos para divulgar o início da mostra do Hermitage. Habitualmente também os usa?

 

Desde que estou no Ministério da Cultura, evidentemente que não. Não é compatível o grau de exigência da agenda diária de um ministro com os transportes públicos. A mobilidade tem que ser tão rápida no quotidiano das nossas agendas. Mas, por exemplo, nos anos em que estive como deputada na Assembleia da República, usava o célebre 28 para ir do Campo de Ourique , onde vivo, à Assembleia.

 

Da última vez que falámos, estava a ler a “Lolita” de Nabokov. Também acha que é a única história de amor convincente do século XX ou não conseguiu abstrair-se da eventual componente pedófila?

 

Primeiro, não acho que seja uma história redutível a essa questão. O Nabokov é um clássico e um escritor muito interessante, sobretudo no que diz respeito às questões da memória. Gostei do livro, mas não me entusiasmou extraordinariamente. Não é uma obra-prima da literatura.

 

Agora está a ler o quê?

 

Acabei hoje de ler o romance de um brasileiro que, aliás, já tinha há muito tempo para ler mas que fui adiando. Chama-se “Relato de um certo Oriente” e é de Milton Hatoum. É sobre a emigração libanesa em Manaus. É curioso porque é uma história em torno da rememoração. A protagonista visita o espaço da sua infância algumas décadas depois de ter deixado Manaus e é toda uma história em torno da comunidade libanesa em Manaus. É um dos brasileiros da nova geração. E vou reler uma coisa que li quando tinha 16 anos, mas na qual também peguei hoje. É "A Casa Grande de Romarigães" do Aquilino Ribeiro. O meu pai era uma grande amante de Aquilino e pôs-nos a ler muito cedo.

 

A esta distância, sente que exagerou quando defendeu que a Comissão para a Igualdade dos direitos das Mulheres devia tomar posição sobre o reality show da TVI “A bela e o mestre”?

 

Mas eu não disse isso. Essa foi uma história criada, porque eu nunca vi o programa. Agora, talvez alguém me tenha perguntado isso, é provável. As mulheres necessariamente burras e os homens muito inteligentes, se é assim, talvez tenha dito. Mas não me lembro. De facto, volto a dizer, se de facto está assente nessa premissa – as mulheres são louras e estúpidas; os homens inteligentes e morenos – de facto, acho muito bem que comissão intervenha.

 

É feminista?

 

Não sei exactamente o que hoje se entende por ser feminista. E hoje quase todas as feministas preferem falar em pós-feminismo, mas acho que o feminismo ainda faz sentido. A necessidade de alertar para a desigualdade, sobretudo de oportunidades, entre homens e mulheres, faz sentido. Dou um exemplo que vivi hoje de manhã. Estive na assinatura do Tratado de Lisboa. Foram todos os chefes de Governo dos 27 e respectivos ministros dos negócios estrangeiros. Havia uma chefe de governo (Merkel) e havia cinco ministras dos negócios estrangeiros, 50 anos depois da assinatura do tratado de Roma. Convenhamos que é lento.

 

 

 


publicado por JN às 21:45

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