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Domingo, 12 de Agosto de 2007

Luís Filipe Menezes: "Se quisesse disputar o Porto já o teria feito"

 

Helena Teixeira da Silva

 

 

Não é fácil convencer Luís Filipe Menezes, 50 anos, a fazer um intervalo no seu tour eleitoral pelo país para responder à entrevista. Estaciona em Mondim de Basto. Responde ao telefone, de um café, em dia de "Volta a Portugal". O ruído dificulta a conversa. Eis o candidato à liderança do PSD em  oito minutos.

 

Os homens medem-se aos palmos?
Aos palmos de inteligência, de criatividade, de carisma, de capacidade de trabalho, de carácter.

 

O que seria capaz de mudar fisicamente em si, em benefício de umas eleições?
Tudo aquilo que, em consciência, não fosse descaracterizar-me.

 

Costuma ser emotivo. Chora com facilidade?
As minhas lágrimas têm o mesmo cloreto de sódio das de Jorge Sampaio e de tantos outros.

Em casa, é  homem de sofá e chinelos ou divide tarefas domésticas, como cozinhar?
Não gosto de cozinhar, embora não seja machista. E detesto o sofá. Sou mais proactivo. Gasto horas a alinhar os milhares de cds de música que tenho. E sou fanático por cinema.

 

Ainda ouve "The Doors"?
Ainda. Sou muito aberto a todos os tipos de música. Aliás,  a todas as questões relacionadas com as artes. Não há nenhum género musical em não tenha os meus preferidos.
Até na música pimba.

Freud costuma servir para explicar tudo. O que diria de si o psiquiatra?
Nada. As teorias de Freud estão  ultrapassadas há muito tempo.

Está hoje em Mondim de Basto, ao lado de Celorico, onde começou a sua carreira como médico, nos anos 70. O que guarda desses tempos?
Guardo os  meus primeiros fins-de-semana de montanhismo e alpinismo. E a imagem de uma região que tinha  enorme potencial para se desenvolver, sobretudo em termos turísticos. Essa é uma das motivações para estar aqui: acredito que o interior de Portugal pode e deve ser desenvolvido.

 

Os directores de jornais também fazem parte da sua lista telefónica?
Os que são meus amigos, com certeza. Mas só por isso: por serem meu amigos.


Almoçou recentemente com um grupo de jornalistas-amigos auto-designado "Os empatados da vida". Sente-se empatado?
Não, de maneira nenhuma. Mas toda a gente tem momentos da sua vida em que pertence a esse clube. Acontece que nunca fica lá para sempre. Há momentos em que somos vencedores e outros em que somos vencidos.

Entusiasma-se realmente com as batalhas políticas?
Quando não estou entusiasmado, não obtenho resultados. Quando me empenho em alguma coisa, modéstia à parte, costumo ganhar.

Tem dito que é preciso olhar para o futuro. Mas não pára de evocar Francisco Sá Carneiro. Algum dia conseguirá livrar-se desse fantasma?
Há muitos que o evocam em vão; não é o meu caso. Foi por causa dele que entrei para o PSD e tive o privilégio de conviver com ele. Portanto, a minha referência tem conteúdo. Ultimamente, muitos o têm citado de forma abusiva e criticável. A ele e a Cavaco Silva.

 

Dentro do PSD, ambos têm a mesma importância?
Julgo que se aproximam no imaginário dos militantes do partido.

Que figura seria no quadro da última ceia do PSD?
Eu? Depende. Quem seria Cristo? Sem saber quem seria, talvez fosse só o fotógrafo.

Vê-se como o médico do seu partido?
O PSD ainda não está nos cuidados intensivos. Basta-lhe uma semana nas termas para ficar bem.

Sempre quis disputar o Porto...
...nunca quis. Se quisesse, teria tido todas as oportunidades para o conseguir.

De qualquer forma, imagina-se, em 2009, a disputar a liderança do PSD com Rui Rio?
Não. Imagino-me a ganhar as eleições a José Sócrates.

 

Sócrates é o primeiro-ministro (PM) do jogging. Que tipo de PM seria?
Eu faço jogging todos os dias às sete horas da manhã. José Sócrates faz jogging de quatro em quatro meses, no calçadão do Rio de Janeiro, no Brasil, ou na Praça de  Tiananmen, na China. E sempre para a fotografia. Essa é uma das coisas que nos distingue.

 


publicado por JN às 03:58

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