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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

Álvaro Costa: "Não me sinto o avô cantigas do rock and roll"

 

Helena Teixeira da Silva

À tentativa de marcar a entrevista, ele responde com SMS cifrada. “Rock and roll bourgeoisie” quer dizer que sim, que aceita. Será num dos “sallons” perto de sua casa. Ou seja, numa esplanada dos Pinhais da Foz. Durante 53 minutos, Álvaro Costa, rosto da Antena 3 à beira dos 48 anos, revela  o sonho: dobrar um filme infantil.

 

Sente que no Portugal radiofónico é o mais próximo que existe de uma estrela pop?

Eu?! Não há estrelas pop em Portugal. Se fosse, era estrela de ‘rock and roll’, o que é diferente. Mas não me vejo assim, sou muito pobre. Um dos meus segredos, se existe, é não pensar naquilo que as pessoas pensam de mim. Se fosse a pensar nisso, já tinha ido parar a um hospital psiquiátrico ou entrado num retiro budista. As vezes em que pensei nisso foram as únicas em que estive menos bem.

 

Todos os anos, no Fantas, alguém faz a sua caricatura no painel: boneco gordinho com um 3 [de Antena 3] na t-shirt. Lida bem com isso?

Sou só eu que tenho direito a isso? Dou nas vistas, é isso que quer dizer? Eu sempre fui um filho do Fantas, se bem que preferisse o antigo ao actual. Ainda há tempos saí numa banda desenhada e perguntaram-me se fiquei chateado. Não fico. Não me levo a sério; levo o que faço muito a sério. Percebe a diferença?

 

É impossível falar consigo sem que faça sucessivas referências aos EUA, onde viveu. Foi à procura de quê?

Fama, fortuna, sexo [risos]. E para fugir de mim, também. Queria um lugar onde houvesse sol e trabalho ao mesmo tempo. Tinha dinheiro, o meu pai tinha falecido e o meu trabalho em Inglaterra acabara. Era o sítio ideal para ir, o mais longe possível dentro da fronteira do Ocidente. Por outro lado, isso aconteceu depois de ter visto o “Easy rider”, é uma longa história. Queria ver aquelas paisagens, tinha a ver com sonhos pessoais de imagem e cowboiada.

 

Cumpriram-se os sonhos?

Claro. E os pesadelos também.

 

Mas ainda é muito influenciado pela América?

Por uma certa cultura americana: literatura, estética, tecnologia, cinema, a chamada pop cultura. A primeira cidade americana que conheci foi S. Francisco e não foi por acaso. Tinha a ver toda aquela cultura ‘beat generation’. Para um rapaz tímido e fechado, aquilo criou uma estranha sensação de, de repente, chamar a atenção dos outros. E das outras em particular. Vivi uma espécie de explosão de pop star à portuguesa. Tinha 20 anos. Aconteceu-me, não estava preparado.

 

No entanto, regressou ao Porto. É um resistente?

Gosto mais de ser do Porto do que da cidade actual. Não podemos esquecer que as pessoas votaram em Rui Rio. E nós precisamos de mais Armani e menos carrinhos de choque. Se tivesse menos 20 anos, voltaria a fazer as malas. Mas eu já as fiz em 1979, quando fui para Londres trabalhar para a BBC e a Music Box. Não ponho de lado a hipótese de um dia completar coisas que não acabei. Mas ter a minha “baby” é fundamental. Não há nada que eu faça que não a tenha em consideração. Acho-me agora melhor pessoa, melhor profissional, mais seguro e completo do que há dez anos. Seria ainda mais estimulante. A idade, para mim, nem sequer conta. Às vezes, parece que tenho 12 anos.

 

Mas rem quase 50. Ainda tem paciência para os festivais de Verão ou vai por obrigação?

Adoro o de Sines [Músicas do Mundo], que é mágico e onde estou ansioso por levar a minha filha. Será o primeiro festival dela.

 

É um pai de família?

Sou. Esperei 40 tal anos para ter uma mulher a mandar em mim: a minha filha de sete anos.  Sou um pai rock, conhecedor, atento. Ela não me pode enganar e eu Quero ajudá-la a seguir o seu rumo que, pelos vistos, é de showbizz completo.

 

Que profissão lhe diz que tem?

Primeiro, dizia-lhe que era um desenho animado. Agora, por qualquer estranha razão, ela acha que sou jornalista.

 

Voltando atrás: aprecia os outros festivais?

O meu primeiro festival foi na Suíça, em 1979. Estava numa tenda com duas louras - mudas como eu gosto. Chovia desalmadamente e lembro-me de ter pensado: “porque é que não há isto em Portugal?” Hoje, os festivais, são um ritual “Margueritte Yourcenar”; um solstício de Verão, um rito de passagem. Existirão enquanto houver pessoas com 16 anos. Representam a primeira transgressão, por muito encenada que seja. A mim rejuvenesce-me sempre. Não me sinto o avô cantigas do rock and roll.

 

No Sudoeste, tem sempre centenas dessas pessoas de 16 anos à sua volta. Gosta?

O que me fascina nessa miudagem, quando vou às escolas – gosto de perceber em que mundo vivem para não ficarmos demasiado convencidos das nossas verdades -, é o facto de me conhecerem, apenas, da “Liga dos últimos”, que é outra dimensão do meu trabalho. São fanáticos por aquilo, mas não sabem o que eu fiz há dois anos, quanto mais há dez! Não conhecem o meu percurso e isso é extremamente libertador, porque nem sempre me orgullo da minha carreira.

 

É portista. Vai deixar de viajar na TAP por solidariedade com o FCP?

É um episódio engraçado. Estava no Pombal, vindo do Sudoeste, quando ouvi a notícia. Estavam 40 quilómetros à minha frente._Acelerei e fui atrás a fazer guarda de honra [risos]. Entendo o clube, mas não vejo o episódio como uma perseguição, mas como resultado da prática de aviação comercial, que é bizarra, porque percebemos que quando entramos no avião não temos direitos nenhuns. Alógica da indústria aeronáutica pode levar a vários casos como este e muitas vezes de pessoas sem expressão mediática.

 

No primeiro trimestre deste ano, a Rádio perdeu cem mil ouvintes. Está a perder a alma?

Não sou um grande cientista dos números. Mas acho que é a ciência do marketing que está a matar a Rádio. A Rádio precisa de alma no sentido de equilibrar as responsabilidades tecnológicas do dia de hoje. Já não podemos fazer hoje como nos 80…

 

Mas também diz que a tecnologia faz dos comunicadores prisioneiros…

Era aí que queria chegar. Hoje, a rádio não é o centro da comunicação. Há uma série que eu adoro – “Conta-me como foi” - que tem muito a ver com a minha geração. Há lá um enorme rádio Grundig no meio da sala. Eu tive um igual. Mas a Rádio nunca mais a terá essa posição, não está mais no centro do palco. Com a tecnologia dos anos 90 criou-se um excesso de ciência, de marketing, que está a matar a rádio. Quando o emissor é apenas um manipulador de botões, não vale a pena ouvi-la. Na estrada, eu próprio prefiro ouvir CDs.

 

É apologista de mais conversa e menos playlists?

Defendo uma rádio mais comunicativa, o que é diferente de falar. É, de repente, obrigar alguém a rir, a chorar, a pensar. Cheguei a dizer que, por este caminho, se ninguém estivesse “on the air” quando Kurt Cobain morreu, a notícia só seria dada dois dias depois…

 

Disse pior: que se o mundo acabasse, a notícia só seria dada mais tarde...

Exagerei. Sou especialista em sound bytes. É preciso sentido de humor. Eu tenho-o – negro, ácido –, e defendo o exagero como meio para chegar a um ponto lúcido.

 

Num blog, alguém escreveu que seria capaz o ouvir durante 60 minutos a falar sobre cinzeiros sem dar conta do tempo. É um palrador. Sente que é uma excepção?

Sinto que sou um dos últimos proprietários da liberdade de poder comunicar. Mas também sinto que já devia haver gajos melhores do que eu – e não há. Criou-se essa ideia de que sou um fala barato. Mas sou, acima de tudo, um actor que estuda bem os seus papéis e que tenta, dentro dos seus conhecimentos e experiência, ajustá-los a cada objectivo. Tem a ver com o facto de ter crecido num período em que a especialização em rádio era uma consequência e não um fim. Hoje, nascem especialistas; eu fiz de tudo antes de chegar aqui. Houve uma altura em que fui excesivo, mas de propósito. Hoje, sou mais conciso, mais objectivo.

 

Cria um personagem no ar?

Antes de um festival fecho-me em casa, depois também. Sou extremamente contido, muito virado para mim próprio. Tem a ver com os meus princípios budistas. As pessoas entendem que estou a exagerar, que estou a ser ‘persona’, a criar um ambiente. Ninguém acredita 100% no que estou a comunicar. Este exagero, no passado, foi entendido como sendo a minha personalidade. Mas eu entendo que os grandes comunicadores de media são assim e depois desligam o botão. Eu desligo muito, e fico com o meu incenso, os meus santinhos.

 

Tem saudades do vídeópolis, que apresentou em meados de 80?

Não, já foi há tanto tempo. Na altura, foi exagerado, aconteceu quando os vídeos estavam a tornar-se algo excitante. Mas nem sabia o que estava a fazer. Lembrei-me só de fazer um programa temático porque tinha a ver com o que estava a estudar: cultura americana.

 

Disse, uma vez, que o Porto não tem massa crítica, humana e económica para poder ter uma estação de rádio autónoma. A afirmação, de certa forma, aplica-se ao Porto Canal?

É melhor fazer-se do que não se fazer. Se é um produto melhor ou pior, é outra história. A televisão é um bicho caro. Havia demasiadas expectativas em relação ao canal e ele nunca poderia servir para salvar a cidade.

 


publicado por JN às 03:13

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1 comentário:
De Mira a 17 de Fevereiro de 2010 às 00:05
Olá Alvaro , td bem?
Viajei no tempo ao ler a tua entrevista. Fomos grandes amigos em 78, o ponto de encontro era o Enseada e o Diana Bar...lembras-te? :)) Bjs


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