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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Nuno Markl: "Politicamente correcto dizer que Herman não tem piada"


Helena Teixeira da Silva

A palavra dele é de honra. Nuno Markl, 36 anos, atende o telefone num outro continente. Para ele, são menos oito horas, mas o guionista e homem da rádio que inventou o "homem que mordeu o cão" compromete-se a responder, por mail, às perguntas a tempo de publicar a entrevista hoje. Cumpriu em menos de 24 horas.
 
Quão diferente era a sua vida antes de Abílio Mortaça, o vendedor de enciclopédias existencialista, com que a sua fama começou (1993)? 
 A minha fama estava ainda longe de começar quando fiz o Abílio Mortaça, por isso durante e depois dessa radionovela que fiz no Correio da Manhã Rádio e na Comercial ainda vivi uns tempos pacatos como caixa de óculos genérico e anónimo. O Abílio Mortaça valeu-me o convite do Nuno Artur Silva para integrar as Produções Fictícias, mas mesmo já a trabalhar nas PF e a escrever para o Herman ainda pude ser um caixa de óculos genérico e anónimo por mais uns anos. Em 97 é que o Homem Que Mordeu o Cão me tornou mais conhecido e aí sim, podemos fazer um a.C e d.C (antes do Cão, depois do Cão). Antes do Cão era mais magro. Nesse aspecto sim, a minha vida era diferente.
 
Ganhar a vida a relatar a sua vida [programas de rádio, TV, livros, blogs, podcasts] diz o quê de si para lá de que é esperto porque faz render tudo o que está à mão? 
 Ui, sou mais esperto do que isso: consegui fazer carreira a partir de tudo aquilo que fazia de mim uma vítima no recreio da escola. Gostava de ver o que estão hoje a fazer os "bullies" que me faziam a vida negra na escola! Além disso, ter como trabalho relatar a minha vida faz não só com que eu ganhe dinheiro por isso, mas poupe em terapia.
 
Por que é que, volta e meia, se define como "um caixa de óculos pançudo"?
Porque é o que sou. E digo isso de mim, da mesma forma que o Stevie Wonder nunca dirá dele próprio que é um homem branco de grande acuidade visual. São constatações de facto.
 
Ter sempre uma boa tirada na língua é a sua arma de defesa pessoal? 
Sempre foi, embora na escola, e porque era avassaladoramente tímido, a minha arma não fosse tanto ter uma boa tirada na língua mas o facto de ser bastante rápido a desenhar, nomeadamente caricaturas dos meus colegas. Comprei muitas amizades assim.
 
Consegue impedir-se de dizer graçolas em público?
 Aí é que está: eu digo pouquíssimas graçolas em público. Eu sou uma terrível desilusão para muita gente que acha que, lá por eu trabalhar em comédia e dizer umas graçolas na rádio, na televisão e na internet, devo ser assim 24 horas por dia. Mas não sou. Na verdade continuo a ser bastante metido comigo mesmo e não particularmente engraçado. Sobretudo quando estou com estranhos. Lembro-me que há uns anos, nos primeiros tempos do Homem Que Mordeu o Cão, alguém andou a espalhar um boato sobre mim que dizia que eu só tinha piada na rádio porque estava com o Pedro Ribeiro, o José Carlos Malato e a Ana Lamy, e que fora do programa não tinha graça nenhuma. Possivelmente era verdade. Mas já que tenho piada na rádio, e já que esse é o meu trabalho, permitam-me que não tenha muita piada na minha vida pessoal. Costuma dizer-se, e bem, que é errado levar o trabalho para casa.
 
Quando é que rir não é o melhor remédio?
 Eu acho que é sempre um bom remédio. Não me parece que haja situações onde se deva conter o riso. Mesmo em funerais, há sempre motivos de riso e soltar uma gargalhada pode ser algo bastante terapêutico.
 
Decora as tiradas que lhe vêm à cabeça ou tem que apontar tudo seja onde for?
Tenho de apontar, e costumo apontar no telemóvel. Seria mais romântico andar com um caderninho de capa preta e um lápis, mas já tenho tanta coisa para carregar, que aproveito o Bloco de Notas que vem no meu telemóvel. Está cheio de pequenas ideias e apontamentos que vou lá pondo durante o meu dia. Se por alguma razão o telemóvel está sem bateria, pareço um louco porque - se a ideia for mesmo boa - ando desesperadamente a repeti-la em voz baixa até encontrar um pedaço de papel e uma caneta. Pareço o Dustin Hoffman no Rain Man.
 
O que é que gosta menos em si no facto de ser simpsónico [fã da animação iconoclasta 'Os Simpsons']
Adoro ser Simpsónico. Não há nada na minha simpsomania que eu não goste. Isto acompanha-me desde que vi o primeiro episódio da série em 1990, quando ainda era possível ver o Sky One em Portugal, via parabólica. Estou sempre atento a tudo o que o Matt Groening faz. E sei que hoje em dia é mais "cool" dizer que se prefere o Family Guy, mas eu nunca fui "cool" e não é aos 36 anos que vou começar a ser.
 
O seu cão Sharik é o quê ao homem-bomba Tarek Sharik dos Gato Fedorento
Rigorosamente nada! Quem o baptizou foi o meu colega de escrita, Francisco Martiniano Palma. Quando fizemos o Homem Que Mordeu o Cão TV, sempre que uma das personagens que ele interpretava tinha um cão, o nome era, invariavelmente, Sharik. E quando ele encarnou a personagem de Orlando Panhões na rubrica Ódio Visceral, da SIC Comédia, e esta mistura de Serra de Aires e rafeiro apareceu nas nossas vidas (o Sharik andava a vaguear por Carnaxide, ali à porta da SIC), não só o cão entrou imediatamente na rábula que estávamos a gravar - no papel de cão do Orlando Panhões - como o Palma achou que Sharik era o único nome que aquela personagem daria a um cão. Nesse dia eu trouxe-o para casa, já devidamente baptizado com o nome Sharik.
 
Sendo uma espécie de padrinho dos Gato [foi quem os levou a 'O perfeito anormal', programa que fez com Fernando Alvim na SIC-R], acha legítimo que eles o ultrapassem em popularidade? 
Acho legítimo, merecido e um motivo de orgulho. Eu já tive a minha dose de popularidade "à Floribella" quando o Homem Que Mordeu o Cão estava no auge e havia malta à pancada em hipermercados para conseguir um autógrafo. Foi uma experiência interessante, mas desgastante e tenho grande estima pelo estatuto de "menos famoso" que tenho hoje, porque sei que quem gosta do que eu faço está mesmo dentro do comprimento de onda Markliano. Percebi que a fama maciça não valia grande coisa no dia em que me apareceram duas senhoras, numa sessão de autógrafos, a dizer "não sabemos quem você é, nem o que é isto do Cão, mas como toda a gente está a comprar o livro, compramos também". Isso levou-me a pensar se era mesmo aquele tipo de fama que eu queria e deprimiu-me um bocado. Mas adoro ver os Gato em alta, e gosto de os ver estimulados a superarem-se, movidos por esse sucesso.
 
Quem é o maior humorista português vivo?
Eu acho que o Herman continua a ser o maior humorista português vivo, e basta ver tudo o que ele tem dado ao longo de tantos anos pela comédia nacional, as portas que ele abriu, os muros que derrubou. Acho que eu não teria seguido esta carreira se não tivesse visto tanta coisa do Herman na televisão e na rádio. E muitos humoristas portugueses actuais dirão o mesmo, e não é por "correcção política" - é, uma vez mais, uma constatação de factos.
 
É politicamente correcto dizer-se hoje que o Herman é o maior humorista português vivo. No entanto, ele nunca teve tão pouca piada nem audiência. O que lhe aconteceu de facto, sabe? 
Politicamente correcto? Essa é boa! Eu acho que hoje em dia o que é politicamente correcto é dizer que ele não tem piada. Audiências não são sinónimo de insucesso: algumas das coisas que mais me orgulho de ter co-escrito na vida foram fiascos de audiência - o caso da Paraíso Filmes ou do Programa da Maria. Eu acho que o Herman continua a ter piada e eu continuo a ter um gozo tremendo a escrever para ele e para o resto do elenco. E acho que já temos suficientes momentos conseguidos no Hora H para fazermos um belo best of. Como já expliquei no meu blog, a razão porque algumas vezes sinto que momentos do Hora H não funcionam, é porque estamos todos - autores, actores, produção - a criar comédia a um ritmo de linha de montagem telenovelesco e não com a calma com que fizemos, por exemplo, o Herman Enciclopédia. Se o Hora H fosse feito com a calma e o tempo com que as britcoms da BBC são feitas - e que é como deve ser feita essa coisa frágil que é a comédia - os resultados seriam diferentes. 
 
Como co-argumentista, sente alguma parte de responsabilidade pelo pouco sucesso da "Hora H" do Herman?
Acho que todos estamos a dar o litro e o nosso melhor, dada a vertigem industrial com que o programa tem, obrigatoriamente, de ser feito. Quando as audiências são baixas e levamos tareia de críticos e público, é impossível não sentir um certo sentimento de culpa, mas geralmente eu uso isso como combustível para tentar fazer ainda melhor.
 
Tem um ou outro detractor na Net. Quando os topa responde-lhes ou vinga-se deles nas suas tiradas públicas?
Tenho oceanos de detractores na net. Mas sim, admito que tenho menos do que nos tempos do Homem Que Mordeu o Cão: quando se atinge um certo nível de popularidade, ganham-se detractores às pazadas, muitos deles ex-fãs. Agora que voltei a ser um muito menos ameaçador "humorista de culto", perdi muitos desses detractores. Não faço tiradas públicas sobre eles; entro em diálogo com eles. Geralmente para perceber o que motiva alguém a odiar tanto uma pessoa que não conhece pessoalmente, fenómeno que desperta em mim uma curiosidade quase científica. 
 
O apagão de multibancos que houve aí em Lisboa esta semana foi a sua experiência mais próxima de um mundo pós-apocalíptico? 
Não: antes disso, o dia em que fiz a inspecção para a tropa, em 93, foi uma experiência ainda mais próxima. Parecia que estava dentro de um romance do Orwell. E fiquei apto! Felizmente, não me chamaram.
 
O que é que o fascina tanto em Rick Deckard [personagem de Harrison Ford em "Blade Runner"]?
Não é só o Rick Deckard que me fascina: todo o filme é um monumento moderno de cinema, de poesia, de tudo. Sinto-me muito próximo das angústias existenciais daqueles andróides.
 
Ainda tem um fraquinho pela Patricia Arquette?
Tenho, e não sou especialmente fã de louras. Mas ela é uma extraordinária actriz, é sexy, e só tenho pena que ela não esteja a aparecer em mais filmes e projectos dignos do seu talento. A série Medium é girinha, mas se era para fazer televisão, ela precisava era de estar a aparecer numa coisa ao nível dos Sopranos.
 
De quem tem mais saudades: do Automan com o seu Lamborghini que dava curvas a 90 graus; do velho Chanquete espanhol do 'Verão Azul'; ou do staff inteiro do 'Barco do Amor'? 
Dessas três entidades, eu escolheria o Automan. O Barco do Amor envelheceu mal; o Verão Azul ainda não voltei a rever, mas anda muita gente a garantir-me que envelheceu mal. O Automan, de certeza que envelheceu mal - mas ao mesmo tempo é um indivíduo com um Lamborghini que dá curvas a 90 graus e cujo melhor amigo é um cursor a piscar. Acho que ainda não voltou a haver nada assim no entretenimento mundial, por isso, gostava de rever uns episódios do Automan, sim senhora.
 
No 'Bee movie' assusta-o dobrar a personagem que no original é feita por Jerry Seinfeld?
É um misto de dor e prazer, o que é sempre bom. Adorei gravar as cenas do casting e depois o trailer, pelo que só tenho de afastar da minha mente a ideia impossível de que terei de estar à altura de um Deus da comédia, para sentir o tremendo gozo que sei que vou sentir quando fizer a dobragem do filme todo, em Outubro. É um dos projectos futuros que estou mais ansioso de fazer. Estou como um puto que sabe que vai receber um brinquedo novo.
 
Da última vez que insultou um fã, verbalizou o comentário ou guardou-o só para si?
Não me lembro de alguma vez ter insultado um fã. Na minha juventude era tão odiado e ostracizado, que hoje em dia tenho uma estima e uma gratidão arrebatadoras por toda a gente que gosta de mim. 
 
Quantos 'Marklianos assumidos' conhece?
Não consigo dar-lhe um número certo... Espero que seja um número jeitoso de pessoas. Não é preciso ser um número astronómico, mas é essencial que seja boa gente.
 
Continua a sonhar em criar "o primeiro filme pornográfico português com história e genuínas inquietações existenciais"? 
Claro! Mais do que isso, mantenho uma pastinha no meu computador com notas sobre isso. Um dia ainda vou conseguir fazer uma coisa dessas.
 
Ainda continua a ser isto de que quer viver um dia: "escrever fábulas para crianças espertas e adultos com pouca vontade de crescer"?
Sem dúvida. Desde que escrevi o meu primeiro e, até á data, único livro infantil, o Sebastião Regressa a Casa, que fiz uma nota mental nesse sentido. Sou grande fã de escritores como o Roald Dahl, que provaram que escrever para crianças é uma coisa muitíssimo digna e nobre e que pode encantar também os adultos. Infelizmente, parece-me que, em Portugal, boa parte das crianças de hoje está mais virada para ver as Chiquititas, a Floribella e os Morangos, do que para ler o Charlie e a Fábrica de Chocolate...

publicado por JN às 10:00

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1 comentário:
De 5uCk a 22 de Agosto de 2007 às 09:49
Markl aproveita as ferias e volta xeio de vontade de continuar k nos (EU) tenho vontade de te continuar a acompanhar.


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